Insatisfação

Garis prometem nova manifestação neste domingo em frente à prefeitura

O grupo de garis que organizou ontem uma manifestação na Avenida Presidente Vargas, próximo ao Sambódromo do Rio de Janeiro, promete dar seguimento ao movimento neste domingo de Carnaval

02/03/2014 | 12h18
Garis prometem nova manifestação neste domingo em frente à prefeitura Tomaz Silva/Agência Brasil
Um grupo de garis que fazia caminhada em direção ao Sambódromo entra em confronto com a Tropa de Choque da Polícia Militar na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

O grupo de garis que organizou ontem (1º) uma manifestação na Avenida Presidente Vargas, próximo ao Sambódromo do Rio de Janeiro, promete dar seguimento ao movimento neste domingo (2) de Carnaval. Eles vão se reunir por volta do meio-dia em frente à prefeitura, onde uma advogada da Defensoria Pública deverá orientar os trabalhadores sobre os procedimentos que poderão ser tomados daqui para a frente.

Ontem, a desembargadora Rosana Salim Villela Travesedo, do Tribunal Regional do Trabalho do Estado do Rio de Janeiro (TRT-RJ), declarou a "abusividade e ilegalidade" de qualquer movimento de paralisação dos garis vinculados à Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb).

Na sentença, a juíza destaca que o "movimento paredista"  ocorre no curso da negociação do dissídio coletivo de 2014 da categoria. Rosana Travesedo determinou a imediata suspensão do movimento, de forma a garantir o funcionamento dos serviços essenciais de coleta e disposição do lixo domiciliar e urbano, "sob pena de multa diária no caso de descumprimento". A multa tem valor de R$ 25 mil.

Segundo informou hoje (2) à Agência Brasil Fábio Araújo Coutinho, gari da Comlurb há 16 anos, o Sindicato de Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio de Janeiro havia convocado a greve e à meia-noite da última sexta-feira (28) enviou notificação à companhia, cancelando a paralisação. Fábio disse que o movimento foi criado entre os próprios garis e não tem uma liderança.

Os integrantes do grupo preferem não citar nomes, "para não serem perseguidos pela empresa", relatou. Acrescentou que neste domingo muitos funcionários estão sofrendo intimidação e assédio moral por parte de seus gerentes, para continuarem trabalhando.

Os garis da Comlurb reivindicam aumento do piso salarial, hoje de R$ 803, para R$ 1,2 mil. De acordo com Fábio Coutinho, a prefeitura ofereceu piso de R$ 877. A categoria pleiteia ainda aumento do tíquete-refeição de R$ 12 para R$ 20 por dia, a volta do pagamento do triênio e do quinquênio, "que nos foram tirados", além do pagamento de horas extras pelos domingos e feriados trabalhados. A Comlurb, disse Fábio, não paga horas extras pelo trabalho nesses dias e oferece apenas um tíquete de R$ 12.

– Os funcionários são tratados quase como escravos e fazem os serviços sem segurança nenhuma – acrescentou.

A Comlurb não soube explicar até o momento a razão da grande quantidade  de lixo  acumulada na cidade, até esta hora, em especial nos Arcos da Lapa e ruas situadas no entorno. A  empresa esclareceu, por meio de sua assessoria de imprensa, que como os foliões permanecem nas ruas à noite, após a passagens dos blocos, a limpeza só pode ser feita com as vias inteiramente livres, para permitir os serviços do caminhão varredeira e do lava-jato. A companhia está apurando se o excesso de detritos está relacionado com a manifestação do grupo de garis, "sem representatividade junto à categoria", segundo o sindicato.


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