Não tão atentos

Inteligência dos EUA se defende por não antecipar crise na Crimeia

Em entrevista à rádio pública NPR, porta-voz da inteligência afirmou que divisão mandou "advertência estratégica" ao governo americano

07/03/2014 | 17h48

Acusados de não terem conseguido antecipar a ocupação da Crimeia por forças russas, os organismos de Inteligência americanos se defenderam por terem sido tomados de surpresa, garantindo que "advertências" foram regularmente enviadas ao Poder Executivo.

Vários congressistas americanos não vacilaram em acrescentar a ocupação da Crimeia à longa lista de fracassos da Inteligência dos Estados Unidos: a queda do xá no Irã, a invasão soviética do Afeganistão, o 11 de Setembro, a Primavera Árabe, entre outros. O serviço de inteligência dos EUA é composto de 16 organismos diferentes e, em 2014, contou com um orçamento de US$ 62 bilhões.

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— Isso não foi previsto por nossos serviços — acusou o senador republicano John McCain. Trata-se de "mais um erro por causa da nossa má interpretação das intenções de Vladimir Putin", acrescentou.

O presidente da Comissão de Inteligência da Câmara de Representantes, o republicano Mike Rogers, anunciou que "começou um trabalho para ver o que funcionou mal".

O escândalo levou o responsável pelos serviços de Inteligência militar (DIA, na sigla em inglês), general Michael Flynn, a defender o trabalho da comunidade, nesta sexta-feira, em uma entrevista nada habitual à rádio pública NPR.

— Nos sete a dez dias prévios à presença de tropas russas na Crimeia, enviamos informes sólidos — garantiu, citando uma "advertência estratégica" enviada ao governo americano. Esses avisos se acumularam até se prever uma ação "iminente" das forças russas, segundo Flynn.

"Visão precisa e atualizada"

— Fornecemos às autoridades uma boa advertência estratégica para que possam tomar as melhores decisões — insistiu o general Flynn.

A CIA também se defendeu das acusações de não ter antecipado a evolução dos acontecimentos.

— Desde que começou a instabilidade na Ucrânia, a CIA informou as autoridades políticas para garantir que tivessem uma visão precisa e atualizada da crise em curso — disse o porta-voz da Agência de Inteligência americana (CIA, na sigla em inglês), Todd Ebitz.

— Isso incluía advertências sobre os possíveis cenários de uma intervenção militar russa na Ucrânia — afirmou.

— Sugerir o contrário é absolutamente falso — frisou.

O secretário americano da Defesa, Chuck Hagel, também defendeu o trabalho dos espiões. "Estávamos muito conscientes das ameaças", declarou no Senado.

Em 26 de fevereiro, o presidente russo anunciou publicamente que faria manobras militares no oeste da Rússia e que, para isso, mobilizaria 150 mil soldados. Dois dias mais tarde, na sexta, homens armados não identificados ocupavam a península ucraniana da Crimeia.

Os serviços americanos de Inteligência tiveram todas as possibilidades de observar os movimentos das tropas russas. Prever se atravessariam a fronteira dependia, basicamente, da análise feita desses movimentos e das intenções de Putin.

Na véspera da ocupação da Crimeia, os serviços americanos não pareciam convencidos de que os russos cruzariam a fronteira, segundo o jornal "Los Angeles Times".

Durante uma reunião a portas fechadas de membros do Congresso, em 27 de fevereiro, Robert Cardillo, o número dois da Direção Nacional de Inteligência (DNI, na sigla em inglês) que coordena as 16 agências dessa comunidade nos EUA, "não deu a entender que uma ação militar era iminente", sugeriu o jornal, citando funcionários de alto escalão que pediram para não ser identificados.

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