Barganha desmentida

Mujica nega que tenha imposto condições para receber ex-prisioneiros de Guantánamo

Anteriormente, o presidente do Uruguai havia dito que medida deveria ter como contrapartida dos EUA a libertação de presos cubanos

24/03/2014 | 13h04
Mujica nega que tenha imposto condições para receber ex-prisioneiros de Guantánamo Daniel CASELLI/AFP
Mujica afirmou que provavelmente não irá a encontro com Obama Foto: Daniel CASELLI / AFP

O presidente uruguaio, José Mujica, declarou nesta segunda-feira que a decisão de receber presos de Guantánamo no Uruguai já está tomada e negou que dependa do pedido que fez a Washington para que liberte três presos cubanos condenados nos Estados Unidos por espionagem.

Mujica disse ainda que foi convidado a se reunir com seu colega americano Barack Obama no dia 12 de maio, mas que provavelmente não poderá comparecer devido ao debate eleitoral no Uruguai, que realiza eleições nacionais em outubro.

— Eu nunca impus nenhuma condição de nada — indicou na entrevista com a rádio El Espectador Mujica, que na semana passada, ao anunciar sua decisão de que o Uruguai receberá cinco presos de Guantánamo, havia indicado que ia passar o recibo aos Estados Unidos.

— Passar o recibo significa entregar uma fatura. Significa que pagarão ou não. O que queria dizer? A decisão estava tomada, não condicionada. Mas em algum momento podemos dizer ao governo americano, de uma posição moral: 'Por favor, tentem melhorar a relação com Cuba' — explicou.

Segundo o presidente uruguaio, isso envolve libertar os presos cubanos, mas também o fim do bloqueio à ilha caribenha.

Mujica indicou que os presos de Guantánamo que chegarão ao Uruguai são quatro sírios e um palestino, na qualidade de refugiados, e que eles não terão seus movimentos limitados.

Admitiu que o marco jurídico para este tipo de acordo "não cabe em nenhum parâmetro institucional".

— Reconhecer Guantánamo seria uma traição do ponto de vista jurídico, tudo isso tem grandes dificuldades, mas a grande pergunta é se vale a pena ou não — disse.

Mujica revelou que recebeu o pedido dos Estados Unidos há quatro meses.

— Chegamos à conclusão de que valia a pena pelo que está em jogo. Além disso, Suíça, Espanha, Eslováquia, Portugal, Irlanda, Hungria, Alemanha, França, Bulgária, outros países e deixo alguns latino-americanos que não quero citar, receberam gente nestas condições. A esta altura voltaram a Afeganistão, Argélia, Canadá, Chade, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Iêmen prisioneiros que tinham esta origem — disse Mujica.

O presidente uruguaio também confirmou que tem um encontro marcado com Obama no dia 12 de maio, mas que há 80% de probabilidades de que não viaje.

— Tenho data para ver o presidente Obama e é provável que não vá porque o Uruguai está em um momento eleitoral e tudo é utilizado, e é provável que não seja conveniente — sustentou.

A visita oficial de Mujica aos Estados Unidos estava prevista para o ano passado, mas foi adiada por questões de agenda.

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