Ecos do Holocausto

Polícia alemã prende suposto ex-enfermeiro de Auschwitz

Aposentado tem 93 anos e foi membro da SS entre 1940 e 1944

18/03/2014 | 12h53
Polícia alemã prende suposto ex-enfermeiro de Auschwitz PAWEL SAWICKI/AUSCHWITZ MUSEUM
Peças usadas para tatuar prisioneiros do campo de extermínio de Auschwitz são expostas pelo Museu de Auschwitz Foto: PAWEL SAWICKI / AUSCHWITZ MUSEUM

A polícia prendeu no norte da Alemanha um suposto ex-enfermeiro do campo de extermínio de Auschwitz durante a II Guerra Mundial, de 93 anos, anunciou nesta terça-feira o Ministério Público de Schwerin.

Os agentes revistaram a casa do aposentado, próxima à cidade de Neubrandenburgo, no norte.

O idoso passou por uma consulta médica e compareceu diante do juiz, acrescentou a mesma fonte.

Membro da SS entre 1940 e 1944, é suspeito de ter participado no extermínio em massa de prisioneiros em Auschwitz em setembro de 1944.

A justiça investiga oito comboios de prisioneiros que chegaram ao campo em setembro de 1944 procedentes de Cadcy (Eslovênia), Viena, Westerbork (Holanda), Lyon, Trieste, Berlim, Stutthof (Alsácia) e Kaunas (Lituânia).

No total, 1.721 pessoas foram enviadas logo após sua chegada às câmaras de gás, depois de terem sido consideradas inaptas ao trabalho.

O caso deste suposto ex-enfermeiro de Auschwitz foi levado ao Ministério Público de Schwerin pelo gabinete central de investigações de crimes do nacional-socialismo de Luisburgo (sudoeste).

Este último havia anunciado em setembro de 2013 ter encerrado investigações em torno de 49 pessoas e transmitido 30 casos aos Ministérios Públicos regionais alemães.

Mais de 6 mil pessoas trabalharam em Auschwitz, onde cerca de 1,1 milhão de judeus, ciganos, homossexuais e opositores políticos morreram nas câmaras de gás, de cansaço ou por diversas doenças.

Por mais de 60 anos, os tribunais alemães só julgavam acusados contra os quais existiam provas diretas ou testemunhos.

Mas a condenação do apátrida de origem ucraniana John Demjanjuk em Munique em maio de 2011 abriu um precedente jurídico. Demjanjuk foi condenado a 5 anos de prisão por sua participação no assassinato de 28.000 judeus. O tribunal considerou que ele era guarda no campo de Sobibor, embora não tenha provado seu envolvimento direto nos crimes.

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