Crime brutal

Polícia prende em Farroupilha jovem envolvido no sequestro e assassinato de casal de aposentados

Suspeito de 20 anos assumiu envolvimento, mas não teria participado do estrangulamento e da carbonização dos corpos

18/03/2014 | 18h00

A polícia prendeu, na tarde desta terça-feira, em Farroupilha, na Serra, o quarto e último suspeito de envolvimento no sequestro e assassinato de Lonia Gabe, 67 anos, e Antônio Celestino Lummertz, 59 anos. O casal foi levado de casa, em Vale do Sol, no Vale do Rio Pardo, e morto em Rolante, no Vale do Paranhana.

Anderson de Oliveira Cardoso, 20 anos, que assumiu envolvimento no caso, é afilhado da mulher que é considerada mandante do crime. Conforme os investigadores, Marli Machado Martins, mãe de santo de 48 anos, queria se vingar de Lummertz, que a teria denunciado como mandante de outro assassinato, ocorrido em 1999.

De acordo com o delegado Luciano Menezes, titular da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) de Santa Cruz do Sul, o jovem confessou ter ido a Vale do Sol, um mês antes do sequestro, para descobrir a rotina do casal, disse que ajudou no rapto deles, no dia 2 de fevereiro, e na escolta até Rolante, além de ter levado Lummertz a um tabelionato em Osório, três dias depois. 

— Ele contou que a Lonia foi levada junto apenas porque, quando eles chegaram na casa do casal, ela estava lá sozinha. O Lummertz chegou depois e aí acabaram levando os dois — afirma Menezes.

Anderson, assim como a filha de Marli, Michele Martins Justo, 26 anos, que também está presa temporariamente, não teria participado da execução do casal, ocorrida após cinco dias de cárcere privado. Segundo os investigadores, apenas Valdir Ribeiro de Carvalho, 58 anos, e Marli participaram do estrangulamento das vítimas e, depois, da carbonização dos corpos dentro de uma geladeira velha.

Nesta segunda-feira, a polícia recebeu a carta e o vídeo feitos durante o cativeiro do casal. Os documentos, junto com uma câmera fotográfica, foram entregues espontaneamente pelo advogado de Marli.

— Essas provas apenas corroboram nossa hipótese de que Marli obrigou a vítima (Lummertz) a produzir esse novo testemunho para se livrar da condenação antiga e depois matou ele e a companheira para apagar as provas — afirma Teixeira.

Segundo Menezes, as três folhas firam escritas à mão por Lummertz e o vídeo, de cerca de 10 minutos em que ele lê a carta, foram produzidos logo após o sequestro. O vídeo foi gravado na cozinha da casa de Marli, mesmo local onde o casal foi assassinado, em um cenário supostamente montado, com uma cortina branca e uma toalha branca sobre uma mesa, para não ser identificado.


CRONOLOGIA DO CRIME

Como se desenrolou o sequestro Antonio e o assassinato, conforme a polícia:

2 DE FEVEREIRO
O sequestro (Vale do Sol e Rolante)
Lonia Gabe, 67 anos, e Antônio Celestino Lummertz, 59 anos, foram sequestrados na noite do domingo. Eles estavam na casa que viviam no interior de Vale do Sol. Segundo a Polícia Civil, o crime foi arquitetado por Marli Martins, 48 anos, mãe de santo que queria se vingar por Lummertz tê-la denunciado à Justiça como uma das mandantes do assassinato do cunhado dela, em 1999. Ainda segundo a investigação, acompanhada de pelo menos mais duas pessoas, seqüestrou o casal e os levou no Civic deles, usando outros dois carros como escolta. O destino foi a casa de Marli em Rolante, onde Lonia e o companheiro foram mantidos em cárcere privado por cinco dias.

5 DE FEVEREIRO
O cartório (Osório)
Lummertz foi obrigado a gravar um vídeo e assinar um documento em que dizia que Marli não era culpada do crime de 15 atrás. Foi levado a um tabelionato em Osório para registrar um  documento em que assumia ter produzido o material espontaneamente.

7 OU 8 DE FEVEREIRO
Os assassinatos (Rolante)
À noite, Valdir Ribeiro de Carvalho, 58 anos, estrangulou Lummertz, com as próprias mãos, pelas costas, na cozinha da casa de Marli, em Rolante. O aposentado foi pego de surpresa ao voltar do banheiro. Depois, ele arrastou o corpo até o pátio, onde já havia uma fogueira dentro da carcaça de uma geladeira, e o depositou dentro. Após, teria ido ao quarto onde Lonia dormia, e também a matou asfixiada, ainda na cama. Os corpos queimaram por 14 horas, segundo Carvalho disse em depoimento.

10 DE MARÇO
As prisões e as provas (Rolante,Santo Antônio da Patrulha e Dom Pedro de Alcântara)
A polícia prende temporariamente três suspeitos de envolvimento no caso. Marli e Carvalho foram detidos na mesma residência onde cometeram os homicídios, em Rolante. No pátio da casa, foram encontradas, enterradas e carbonizadas, peças do Civic que pertencia ao casal. Uma familiar de Marli também foi presa, junto com um dos Palio usado na escolta do sequestro, em um sítio, no interior de Santo Antônio da Patrulha, no Litoral Norte. Dois dias depois, em Dom Pedro de Alcântara, no Litoral Norte, a polícia prendeu o quarto suspeito, com o outro Palio, que estava em um bananal.

14 DE MARÇO
As revelações (Rolante)
Os policiais voltaram à casa junto com Marli e Carvalho para procurar provas e remontar o crime. Restos mortais do casal foram encontrados às margens de uma rodovia, a geladeira carbonizada, no pátio da residência, e o motor Honda Civic ao lado de um córrego.

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