Em retiro

Primeiro papa latino-americano comove a região

No primeiro aniversário de seu pontificado, Francisco se limitou a pedir que fiéis rezem por ele

13/03/2014 | 22h46
Primeiro papa latino-americano comove a região JUAN MABROMATA/AFP
Foto: JUAN MABROMATA / AFP
Francisco, o primeiro papa latino-americano, comove a região com mais católicos do planeta, ao despertar um fervor religioso por um novo estilo que aproxima a Igreja do povo, após um ano de Pontificado.

Nesta quinta-feira, Francisco pediu em sua conta oficial no Twitter que os fiéis rezem por ele. Segundo o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, Francisco se limitou a rezar de seu retiro em Ariccia, cidade próxima a Roma, onde vem praticando exercícios espirituais desde domingo. Os exercícios espirituais, com meditação e orações, são tradicionais no período da Quaresma.

Apesar de não conseguir deter a fuga de fiéis, o maior desafio do Sumo Pontífice é recuperar os católicos que se afastaram da Igreja, muitas vezes atraídos pelos evangélicos.

Este desafio explica por que motivo o Brasil foi um dos seus primeiros destinos, em julho passado, durante a Jornada Mundial da Juventude, quando levou sua proposta de atenção à periferia, ajuda aos menos favorecidos e busca de justiça social.

No Brasil, o país com o maior número de católicos do mundo, são abertos milhares de locais de culto evangélico a cada ano. O país abriga mais de 42,3 milhões de evangélicos entre sua população.

— O que Francisco fez foi mostrar que o autêntico poder do papado está em servir — disse Moises Sbardelotto, comunicador da Universidade Vale do Rio dos Sinos (jesuíta) e autor do livro — E o verbo se fez bit.

Segundo Daniel H. Levine, professor emérito de ciência política da Universidade de Michigan e autor do livro "Politics, Religion and Society in Latin America", ainda é incerto dizer que o "papa possa reverter esta tendência" que aponta para um crescimento do número de fiéis inferior ao aumento da população.

— A Igreja Católica não pode seguir atuando como se fosse um monopólio. Hoje há muita concorrência — advertiu.

Em sua Argentina natal, com o entusiasmo que gerou a chegada de Jorge Bergoglio ao Vaticano, "foi revertida a tendência dos últimos seis anos que apontava para a queda dos valores religiosos e para um maior questionamento da Igreja", disse à AFP a socióloga Marita Carvallo, titular da consultoria Voices, que executou três pesquisas de opinião em 2013.

Com 70% de católicos entre 40 milhões de habitantes, "nove a cada dez argentinos têm uma imagem positiva do papa Francisco, mas apenas dois a cada dez frequentam a Igreja semanalmente", assinalou Carvallo.

Apenas 1% dos argentinos têm uma imagem ruim do papa, segundo o instituto Catterberg, e 69% estimam que Francisco está gerando "grandes mudanças" na Igreja Católica.

Vaticano está mais perto

— Com Francisco o Vaticano está mais perto. Ele desperta o interesse em massa na América Latina. Todo sul-americano se sente próximo — a ele, disse à AFP Mario Miceli, vigário da Juventude do Arcebispado de Buenos Aires, que Bergolio dirigia.

Os jovens multiplicaram sua participação nas procissões e em outras atividades religiosas, como acampamentos solidários, assinalou Miceli. "Se sentem convidados e incluídos".

As únicas críticas que se escutam procedem da comunidade homossexual, que lamenta a falta de mudança.

— As esperanças dos católicos no novo pontificado foram justificadas em parte por Francisco, mas ainda existe uma espécie de dívida que o papa precisa pagar, basicamente a partir de medidas concretas — assinalou à AFP o historiador peruano Juan Fonseca Ariza.

Apesar desta dívida, que inclui "medidas mais efetivas contra a pedofilia", com seu discurso o papa "abre possibilidades de reencontro da Igreja com a sociedade em temas como divórcio, aborto e casamento gay, sem que isto implique em um afastamento total da ortodoxia".

— É fabuloso. É a melhor pessoa que poderia estar lá. O mundo está mudando e precisa de muita mudança. A Igreja não pode continuar como é, mas vai haver problemas porque os poderes não se movem facilmente — disse à AFP a contadora Nancy Leiva, 49 anos.

Próximo à Catedral de Buenos Aires, o turista brasileiro Fabrizio, 35 anos, se entusiasma com este "papa da humildade, um papa que não gosta da pompa que existe na Igreja Católica, uma pessoa simples que transmite simplicidade".

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