Professores de Educação Física do Estado depredaram Tesourinha e atiraram pedras na BM, diz secretário

José Edgar Meurer, secretário municipal de Esportes, reconheceu os servidores nas filmagens e está diposto a confirmar os nomes à polícia

12/03/2014 | 16h13
Professores de Educação Física do Estado depredaram Tesourinha e atiraram pedras na BM, diz secretário Mauro Vieira/Agencia RBS
Ao tomar conhecimento da informação, o delegado Paulo César Jardim, da 1ª DP, entrou em contato com o secretário para que ele forneça detalhes sobre os professores Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

O secretário municipal de Esportes, José Edgar Meurer, reconheceu pelo menos dois professores de Educação Física, que trabalham na rede estadual, nas imagens do vandalismo ocorrido na audiência pública sobre a licitação dos ônibus na última segunda-feira, dia 10, no Ginásio Tesourinha, em Porto Alegre. Ele será chamado para depor na 1ª Delegacia de Polícia.

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– O que mais me dói é que são professores da minha área, formadores de opinião. Tu imaginas os teus filhos estudando com esses caras? Um deles, inclusive, é filho de um ex-funcionário nosso. Dá para ver claramente – disse Meurer a Zero Hora.

Ao tomar conhecimento da informação, o delegado Paulo César Jardim, da 1ª DP, entrou em contato com o secretário para que ele forneça detalhes sobre os professores. Um deles trabalha no Colégio Estadual Cândido José de Godoi, bairro Navegantes.

– Nas imagens que vi, eles aparecem arrebentando a rede do Tesourinha e tocando pedras na Brigada Militar. Se for chamado para depoimento, vou confirmar tudo.

Vídeo mostra os momentos de tensão no Ginásio Tesourinha

Conforme dados da Secretaria Municipal de Esportes, os prejuízos causados pela depredação do Tesourinha chegam a R$ 70 mil. Foram danificados os portões, o piso e o gradil, além das redes, lixeiras e dos vasos. A Procuradoria-Geral do Município entrou com uma queixa na Polícia Civil, solicitando que os responsáveis reparem os danos.

Nesta quarta-feira, o delegado Paulo César Jardim informou que já identificou ao menos seis pessoas que agiram com violência na audiência. Ele vai indiciá-las por expor terceiros a perigo de vida (artigo 251 do Código Penal) e dano ao patrimônio (artigo 163). Somadas, as penas podem chegar a até seis anos.

De acordo com ele, os suspeitos participaram de outros protestos na cidade e são monitorados há um ano, desde que eclodiu a onda de manifestações que sacudiu o país em 2013. Jardim não liberou os nomes para não atrapalhar a investigação e espera que a Justiça seja dura.

CPERS acusa perseguição política

A presidente do CPERS/Sindicato, Rejane de Oliveira, não acredita que professores estaduais estejam envolvidos nos atos e critica uma "tentativa de criminalização" dos movimentos sociais:

– Os trabalhadores de educação, normalmente, fazem manifestações pacíficas. Não costumamos usar de nenhum tipo de ataque físico, não faz parte da categoria. Acho que o período será de forte tentativa de criminalização dos movimentos sociais. Os governantes sempre tentam colocar o CPERS, pela sua força e história, como um dos promotores de qualquer violência.

Veja imagens da pancadaria durante audiência pública no Tesourinha

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