Depredação em manifestações

PSOL e PSTU questionam inquérito policial que investigou seus membros e vão ao Ministério Público

Para dirigentes, há tentativa de enfraquecimento das siglas e da participação nos protestos

17/03/2014 | 19h49

Dirigentes do PSOL e do PSTU no Rio Grande do Sul questionaram o inquérito policial que enquadrou militantes dos dois partidos no delito de formação de milícia privada e afirmaram que existia uma ação de governo, política e ideológica. A atuação da Polícia Civil, que indiciou sete pessoas por depredações em 27 de junho passado, foi contestada pelos presidentes das siglas, Pedro Ruas e Vera Guasso, além de Luciana Genro e Roberto Robaina (ambos do PSOL), em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira. Depois, o grupo seguiu para o Ministério Público, onde foi recebido pela chefia do órgão.

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A advogada de Lucas Maróstica (PSOL), Luciana Genro, e o advogado de Matheus Gomes (PSTU), Alberto Albiero, detalharam o inquérito, que, segundo os defensores, não se sustenta, pois não contaria com provas da participação dos indiciados em atos de violência. Para Luciana, há uma "fraude de provas":

— O delegado teceu uma tese, pois sem provas objetivas, optou por uma denúncia na qual atribui aos jovens a formação de milícia. Eu concluí que ele fraudou um depoimento para fechar a tese e vou firmar esse posicionamento na defesa.

Segundo Robaina e Vera, o governo busca enfraquecer os partidos e a participação popular nas manifestações. Para a presidente do PSTU, a surpresa com o inquérito é muito grande:

— Se estivéssemos na ditadura, acharíamos normal, mas agora, mesmo tendo ido ao Palácio conversar com Tarso Genro, onde ele nos disse que não haveria a perseguição aos movimentos políticos e sociais, somos vítimas deste inquérito.

Robaina desafiou o conteúdo da investigação, afirmando que ele e Maróstica estiveram juntos nas manifestações, mas que seu nome não consta, e ele não foi chamado a depor.

— Estão visando criminalizar a ação política, o partido, através das suas lideranças jovens. Onde está meu nome que não consta do inquérito? — disse.

Ruas explicou que a Lei 12.720, que dispõe sobre crimes praticados por grupos de extermínio ou milícias privadas, foi criada para criminalizar grupos que se "organizam para extermínio, buscando vantagens financeiras" — o vereador disse ser absurda a utilização dessa legislação em relação aos movimentos sociais.

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