Crise

Putin afrouxa aperto militar contra Ucrânia, mas afirma que "não há presidente em Kiev"

Desde quinta-feira, tropas vinham fazendo exercícios de guerra na fronteira com o país

Putin afrouxa aperto militar contra Ucrânia, mas afirma que "não há presidente em Kiev" MIKHAIL KLIMENTYEV/RIA-NOVOSTI // AFP
Vladimir Putin Foto: MIKHAIL KLIMENTYEV/RIA-NOVOSTI / / AFP

Putin piscou. Em entrevista coletiva na manhã de hoje no Kremlin, sede do governo em Moscou, o presidente da Rússia anunciou que ordenou o retorno das divisões dos distritos militares central e sul a suas unidades. Desde quinta-feira, essas tropas vinham fazendo exercícios de guerra na fronteira com a Ucrânia, numa movimentação de teor agressivo acompanhada, no sábado, da autorização parlamentar para uso da força contra o país vizinho. Ao mesmo tempo, Putin anunciou que as tropas russas que detêm virtualmente o controle da Península da Crimeia, república autônoma pertencente à Ucrânia, não impulsionarão movimentos separatistas na região.

Na prática, a posição de Putin, que vinha mantendo silêncio desde a queda de seu aliado Viktor Yanukovitch da presidência da Ucrânia, significa um recuo em relação à escalada guerreira dos últimos dias. Esse recuo do ponto de vista militar, porém, é acompanhado de uma ofensiva política e econômica. Putin afirmou que a deposição de Yanukovitch (hoje asilado em Moscou) foi um “golpe” e acrescentou:

— Não há presidente na Ucrânia. O parlamento é apenas parcialmente legítimo.

Em contraste com a situação ucraniana, Putin pintou um quadro digno de conto de fadas na Crimeia. Disse que o governo anterior da república autônoma renunciou e que o parlamento (“no qual estão representados mais de 60 partidos”, na sua versão) substituiu-o. Disse que a movimentação de tropas russas na Crimeia (com cerco a unidades ucranianas e bloqueio da baía de Sebastopol a navios da marinha da Ucrânia) teve por finalidade “proteger russos” (isto é, cidadãos ucranianos de nacionalidade russa).

A retirada militar de Putin foi acompanhada de uma elevação do tom em outros terrenos. Ele afirmou que será preciso “estabelecer contato com o parlamento da Ucrânia” para discutir as relações entre os dois países e anunciou que os preços do gás, reduzidos como parte de um acordo com Yanukovitch no final do ano passado, voltarão a seus antigos patamares.

 
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