Opinião

Rosane de Oliveira: Pesquisa empolga mercado e adversários de Dilma

28/03/2014 | 04h40
Quem não conhece os caprichos do Senhor Mercado tem dificuldade para entender a alta da Bolsa de Valores de São Paulo, puxada pela valorização das ações da Petrobras, no momento em que o Congresso está prestes a abrir uma CPI para investigar irregularidades na empresa. Em outro momento, a perspectiva de uma CPI poderia ter empurrado as ações da Petrobras para baixo, mas ontem elas subiram 8% e o dólar teve queda de 1,75%. Sinal de boas notícias na economia? Não, respondem em coro os analistas: o mercado está eufórico porque a popularidade da presidente Dilma Rousseff caiu na pesquisa do Ibope encomendadapela CNI, feita entre os dias 14 e 17, e divulgada somente ontem.

O curioso é que o mercado parece não ter se dado conta de que o campo da pesquisa foi feito no mesmo período de outra, do mesmo Ibope, sobre a intenção de voto dos brasileiros. Naquela sondagem, divulgada na quinta-feira passada, Dilma aparece em primeiro lugar, com índices de 40% a 43%, dependendo do cenário. Em todos, seus percentuais são superiores à soma dos adversários, o que lhe daria a vitória em primeiro turno.

Com o mesmo número de entrevistas (2.002 ), os dois levantamentos foram feitos antes da divulgação da avalanche de notícias sobre a compra ruinosa da refinaria de Pasadena, pela Petrobras, com o aval de Dilma, à época presidente do conselho de administração. Na de popularidade, o Ibope constatou que a aprovação ao modo como Dilma governa caiu de 56% em novembro de 2013 para 51%. Na avaliação do governo, a soma de bom e ótimo baixou de 43% para 36% e a de ruim e péssimo subiu de 20% para 27%.

A popularidade de Dilma hoje é semelhante à do ex-presidente Lula em março de 2006, depois do escândalo do mensalão. Lula tinha 38% de bom e ótimo e 22% de ruim e péssimo – e foi reeleito em outubro, no segundo turno.

Pela comemoração do mercado e da oposição, parece que Dilma já perdeu a eleição. As próximas pesquisas mostrarão os efeitos da CPI da Petrobras e dos ataques da oposição. Na prática, a campanha já começou.

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