Saiba o que dizem os manifestantes indiciados por supostos delitos praticados em protestos na Capital

Sete militantes que participaram de protestos com vandalismo foram responsabilizados pelos danos e por "constituição de milícia privada"

Atualizada em 14/03/2014 | 12h3114/03/2014 | 09h35

A Polícia Civil indiciou na manhã desta sexta-feira sete jovens apontados como integrantes do Bloco de Luta pelo Transporte Público, que eram investigados desde o ano passado por supostos delitos praticados em manifestações de rua em Porto Alegre.

Eles são responsabilizados pelos crimes de posse e emprego de explosivos, furto qualificado, dano simples e qualificado e constituição de milícia privada. Os fatos que geraram o envio do inquérito ao Judiciário aconteceram no dia 27 de junho de 2013, quando o Palácio da Justiça foi depredado por manifestantes que protestavam contra o sistema de ônibus e a Copa do Mundo.

Os indiciados no inquérito 017/2013, da equipe de Assessoria Especial do Departamento de Polícia Metropolitana (que investiga quase 80 casos de vandalismo) são Rodrigo Barcellos Brizolla, mais conhecido como "Briza Brizolla", Alfeu Costa Neto, José Vicente Mertz, Lucas Maróstica, Matheus Gomes, Gilian Cidade e Guilherme Silveira de Souza. Esse último foi preso em flagrante por saques durante a manifestação.

Lucas disse que estava em aula pela manhã, quando ficou sabendo do indiciamento. Foi tomado de surpresa e adiantou que o Bloco de Luta deve organizar um pronunciamento ainda hoje.

Zero Hora está buscando contato com os suspeitos apontados na reportagem para que possam dar as suas versões sobre os fatos. Rodrigo Brizolla disse que os indiciados não iriam se manifestar individualmente uma vez que estavam sendo indiciados como um grupo. Disse que até as 12h30min, lançariam uma nota coletiva se pronunciando a respeito da situação.

Veja o que dizem os representantes do PSOL e do PSTU:

"Para mim, isto é a continuidade de um processo de perseguição política na medida em que não se tem prova de imagens, prova de vídeo e o principal, na medida em que todo mundo do movimento conhece a forma como eu participava das mobilizações. Sempre participo utilizando como ferramenta o megafone, a nossa voz de indignação. Para mim é uma tentativa de nos acuar. É um absurdo isso de milícias privadas. No dia em que nos reunimos com o governador Tarso (Genro) _ porque é isso, né, a investigação fala sobre um dia específico, que era o dia em que uma comissão do bloco se reuniu com o governador. A gente permaneceu desde o começo organizados ao redor do caminhão de som e depois nos reunimos com o governador. É ilógico porque qualquer início de confronto naquele dia havia começado no momento em que nós estávamos dentro do palácio ou em retirada de lá. Acho muito delicado que um inquérito assim seja feito, o que para mim caracteriza como uma criminalização dos movimentos sociais. Não existem milícias, o que existem são jovens indignados que ocuparam as ruas esperando apontar um outro caminho para o Brasil"
Lucas Maróstica (PSOL)

"Na nossa opinião se trata claramente de uma perseguição política ao movimento. É uma tentativa de transformar os sujeitos políticos das manifestações em criminosos. O inquérito não tem nenhuma prova concreta de que nós cometemos as ações que eles estão nos acusando. A única coisa que eles se embasam é em um papel que a gente cumpriu ao formular as propostas, ao organizar as manifestações, ao defender publicamente alternativas, por exemplo, para a questão do transporte e outras coisas. Isso é o que eles chamam de domínio do fato. Na realidade, isso eu chamo de discutir política na sociedade só que isso agora tá virando crime aqui no país com uma restrição cada vez maior às liberdades democráticas e ao direito de organização de manifestação".
Matheus Gomes fala em nome do PSTU, representando também Gilian Cidade

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