Retirada

André Vargas se licencia da Câmara

Vice-presidente da Câmara é suspeito de envolvimento com doleiro preso em operação da PF

07/04/2014 | 15h00
André Vargas se licencia da Câmara Luis Macedo/Agência Câmara
Foto: Luis Macedo / Agência Câmara

Em meio a suspeitas de envolvimento com um doleiro preso na Operação Lava-Jato da Polícia Federal, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas (PT-PR), se licenciou da atividade parlamentar. A carta com o pedido de afastamento por 60 dias foi entregue nesta segunda-feira à Mesa Diretora da Casa. Ele não receberá salário no período 

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Mais cedo, a Secretaria-Geral da Mesa havia decidido arquivar o pedido protocolado, na semana passada, pelo PSOL para que fosse aberta uma investigação sobre os fatos envolvendo Vargas e o doleiro Alberto Youssef. De acordo com a assessoria da Mesa, a decisão foi motivada por requisitos regimentais, com falta de detalhamento no ofício entregue pelo partido, e não indica qualquer indisposição da Casa em averiguar os fatos.

Novas mensagens de celular interceptadas pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato mostram que Vargas cobrou do doleiro Alberto Youssef, preso em Curitiba, a falta de pagamentos a "consultores". Em 19 de setembro de 2013, conforme o site da revista Veja informou, Vargas reclamou com o doleiro: "Sabe por que não pagam o Milton?", perguntou o deputado.

Em resposta, Youssef escreveu: "Calma, vai ser pago. Falei para você que iria cuidar disso". Mas André Vargas insistiu. "Consultores que trabalham com ele há meses e não receberam", teclou Vargas. O doleiro tentou tranquilizar o deputado: "Deixa que já vai receber", garantiu Youssef.

A troca de mensagens não permitiu a identificação da origem desses"consultores". A conversa é, segundo Veja, mais um indício recolhido pela Polícia Federal para reforçar uma suposta sociedade secreta entre o doleiro e vice-presidente da Câmara.

Na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo revelou que Vargas usou um jatinho pago pelo doleiro para viajar em férias com a família a João Pessoa (PB). A viagem teria custado R$ 100 mil. Da tribuna da Câmara, Vargas pediu desculpas aos colegas e à família. E negou qualquer envolvimento em um contrato de R$ 150 milhões para fornecimento de remédios entre o laboratório Labogen e o Ministério da Saúde.

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