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Como foi a operação que desfez esquema de tráfico internacional que atuava no RS

Polícia Federal apreendeu 1,2 tonelada de drogas e desarticulou quadrilha nesta quinta-feira

Atualizada em 04/04/2014 | 12h4804/04/2014 | 05h32

Sem tiros, com pouco barulho, a Polícia Federal (PF) desarticulou aquela que considera uma das maiores quadrilhas de drogas em atuação no Rio Grande do Sul. O trabalho começou em junho, com 12 flagrantes desde então, que resultaram na prisão de 48 pessoas, apreensão de 1,2 tonelada de drogas, R$ 165 mil em espécie, 24 veículos (incluindo um motor home) e armas de calibre restrito (entre elas um fuzil AR-15, sete pistolas e uma submetralhadora).

O inusitado, segundo a PF, é que o bando era chefiado de dentro de um presídio em Assunção, capital do Paraguai.

Conforme as investigações, a cocaína era encomendada na Bolívia pela quadrilha liderada pelo brasileiro Jarvis Chimenes Pavão, preso na Penitenciária de Tacumbu, em Assunção. Após chegar ao Paraguai, era receptada em Ciudad del Este (na fronteira com o Brasil) por dois gaúchos, que dali faziam a droga atravessar a fronteira e ir para o Rio Grande do Sul, onde era redistribuída em células em Novo Hamburgo (Vale dos Sinos) e Santa Cruz do Sul (Vale do Rio Pardo).

Duzentos quilos de cocaína seriam transportados em aeronave

O rastreamento do esquema culminou ontem, com a denominada Operação Panóptico, que resultou na captura de 15 pessoas em Porto Alegre, Sapucaia do Sul, Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Santa Cruz do Sul e Farroupilha. Ao longo das investigações foram presos os líderes, os fornecedores, os transportadores e revendedores.

– Se seguisse atuando, iria aumentar em muito a circulação de drogas no Estado – afirmou o superintendente da PF gaúcha, Sandro Caron.

Conforme Caron, na medida em que as cargas eram interceptadas, e traficantes presos, a quadrilha mudava o modo de agir. Depois da apreensão de um motor-home, os criminosos passaram a remeter drogas em carros.

Como o garrote prosseguiu, o bando planejou usar uma aeronave boliviana para o transporte de 200 quilos de cocaína, que seriam arremessados em uma propriedade em Mostardas, ação que acabou não se concretizando.

Caron fez questão de destacar a atuação dos agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).  Ao todo, 40 policiais trabalharam durante 10 meses. Nas investigações, o agente da PF Adécimo Joel Branco, 56 anos, morreu.

Ele estava em uma viatura que capotou ao ser abalroada por traficantes durante perseguição na BR-386, em 11 de outubro, em Triunfo. O autor do abalroamento foi preso e deve responder por homicídio e tráfico de drogas – tinha 40 quilos de cocaína na caminhonete.

Como funcionava o esquema

- A cocaína era encomendada na Bolívia pela quadrilha liderada pelo sul-mato-grossense Jarvis Chimenes Pavão, preso no Paraguai.

- Os gaúchos Fabrício Santos da Silva, o Nenê, e Ênio Santos de Souza, radicados em Ciudad del Este, na fronteira do Brasil com o Paraguai, compravam a droga de Pavão e a remetiam para o Rio Grande do Sul.

- Segundo a PF, até ontem Ênio e Nenê seguiam comandando o bando de dentro das cadeias. Nenê esta recolhido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas e Souza, no Presídio Central.

- A droga era enviada para Novo Hamburgo. De lá, uma parte ia para Santa Cruz do Sul e distribuída para revendedores na  Região Metropolitana e Serra.

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