Saúde pública

Definidas regras de greve no Hospital Conceição, em Porto Alegre

Paciente relata que hospital tem problemas para servir comida aos doentes

04/04/2014 | 05h01
Definidas regras de greve no Hospital Conceição, em Porto Alegre Lívia Stumpf/Agencia RBS
Greve começou há pouco mais de uma semana Foto: Lívia Stumpf / Agencia RBS
Uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT) estabeleceu na quinta-feira a conduta mínima dos funcionários grevistas do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) para que sejam atendidas as necessidades básicas da população. A greve, que começou no dia 27 de março, não tem data para terminar. Um paciente relata, inclusive, que a comida não estaria sendo servida no local.

Os critérios para a paralisação foram definidos em comum acordo pelo GHC e pelos sindicatos da saúde, com mediação do TRT, e deverão ser seguidas pelos grevistas a partir das 19h desta sexta-feira. Não houve consenso, porém, sobre a pauta de reivindicações dos trabalhadores – uma nova reunião está marcada para esta sexta-feira.

Quinta-feira, um paciente do Hospital Cristo Redentor relatou não ter recebido refeições básicas na terça-feira. Em recuperação na área de traumatologia do hospital desde o início de março, ele afirmou a Zero Hora que apenas o café da manhã foi servido naquele dia. E que funcionários teriam avisado que algumas refeições não seriam servidas, aconselhando-o a pedir que familiares providenciassem a alimentação. O paciente, que prefere não se identificar, relatou que deixou o hospital de pijama e com a mão enfaixada para comprar maçãs e um cachorro-quente.

– Eles disseram que não iria ter comida devido à greve. Expliquei para o guarda, e ele permitiu que eu saísse, mas pediu que eu cuidasse ao voltar para que as câmeras não gravassem eu entrando com comida – contou o paciente.

Mais tarde, ele comeu um prato levado de casa pela mulher: salada, arroz e carne.

A assessoria de imprensa do GHC confirmou que alguns pacientes não receberam refeições na terça-feira, mas não soube precisar quantos. A direção pede que as pessoas que não receberam alimentação denunciem o caso à ouvidoria do GHC.

O presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem, Técnicos, Duchistas, Massagistas e Empregados em Hospitais e Casas de Saúde do RS (Sindisaúde-RS), Arlindo Nelson Ritter, afirma que nenhum paciente ficou sem comida – e que seria muito grave se isso acontecesse.

– A nutrição não parou. Algum prejuízo a greve vai provocar, porque, senão, não é greve. Mas o paciente internado não vai ter prejuízo. Não pode faltar alimentação. O paciente não pode levar nada de casa, é proibido – afirmou.

AS CONDIÇÕES
Regras para a paralisação dos funcionários do GHC*:

- Manter 80% do serviço nos setores de emergência e urgência, UTIs, centros obstétricos, blocos cirúrgicos, Unidade de Pronto Atendimento (Upa) e unidades que produzem exames de urgência e emergência.

- Manter 50% do serviço nos demais setores dos hospitais.

- Os trabalhadores poderão estabelecer rodízios durante as jornadas de trabalho para o atendimento à população, desde que os percentuais acima sejam respeitados.

- Os sindicatos se comprometem a manter o serviço de forma a não fechar nenhum leito de UTI e nem prejudicar a rotina de atendimento dos pacientes internados nessas unidades.

- O GHC não impedirá o acesso ao registro de ponto por parte dos trabalhadores.

- Os trabalhadores devem registrar fielmente entradas e saídas.

- Os efeitos das punições aplicadas a trabalhadores em virtude da greve ficam suspensos até a próxima tentativa de negociação, inclusive quanto a eventuais descontos de dias parados.

*As regras passam a valer a partir das 19h desta sexta-feira para que o trabalho possa ser reorganizado.
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