No ataque

Lula critica oposição por querer CPI da Petrobras perto das eleições

Ex-presidente e principal chefe político do PT concedeu entrevista a blogueiros nesta terça-feira

Atualizada em 08/04/2014 | 16h1108/04/2014 | 15h21
Lula critica oposição por querer CPI da Petrobras perto das eleições Ricardo Stuckert/Instituto Lula,Divulgação
Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula,Divulgação

Em entrevista a blogueiros nesta terça-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tratou de eleições, o panorama político nacional e, como não poderia deixar de ser, respondeu a perguntas sobre as suspeitas que recaem sobre a Petrobras. Ao comentar a tentativa da oposição de criar uma CPI para investigar a estatal, disse que os adversários tentam tirar proveito eleitoral.

— O que a gente não pode é ficar vendo, em cada eleição, por falta de assunto, a oposição que nunca quis CPI, agora fique querendo tirar proveito em seis meses de campanha — afirmou.

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O ex-presidente disse ainda que "o governo tem que ir para a ofensiva" na CPI. Para ele, os números divulgados pela imprensa não "batem" com os que o governo tem.

_ Não podemos admitir que, por omissão nossa, mentiras prevaleçam _ afirmou.

Segundo ele, o governo precisa defender "com unhas e dentes" o que acredita ser verdadeiro.

Lula avaliou com naturalidade o fato de as ações da Petrobras terem caído de forma expressiva ao longo do último ano.

— Bolsa é assim mesmo — disse.

Segundo ele, a estatal não pode ser medida apenas pelo seu desempenho na Bovespa.

— Tem que ser medida pelo conhecimento tecnológico e pela quantidade de petróleo que tem lá no pré-sal. O Brasil precisa ter a dimensão do patrimônio da Petrobras e do significado que ela tem — avaliou.

O ex-presidente alfinetou a oposição, dizendo que esta deveria fazer um programa de governo para disputar as eleições com o PT.

Rebatendo críticas ao crescimento econômico do país, o petista ficou visivelmente irritado e deu um soco na mesa.

— Eu era presidente de um sindicato quando a inflação estava em 80% ao mês e, hoje, vejo (ex-)ministro falando em estabilidade, em controlar a inflação — disse em referência à fala de um ex-ministro da economia, sem citar nomes.

Rebatendo as críticas, ressaltou que o PT, há 11 anos no governo, mantém a inflação dentro da meta ao mesmo tempo que gera empregos e aumenta a massa salarial. Lula voltou a defender uma postura mais firme da esquerda em relação aos adversários políticos:

— A elite nunca foi condescendente com a esquerda e a esquerda sempre foi condescendente com a direita.

Segundo ele, às vezes a esquerda política brasileira é "ingênua e não faz a disputa política".

Críticas à cobertura do mensalão na mídia

O tema mensalão também foi abordado na entrevista. Lula disse que a imprensa teve um papel de condenação explícita antes de cada sessão.

— Nunca vi nada igual. O massacre era apoteótico — afirmou.

Para ele, o PT, como partido, depositou a esperança na briga jurídica na questão do mensalão e o julgamento teve outro foco.

— Nós ficamos pensando juridicamente numa ação que estava sendo pensada politicamente — sentenciou.

O petista comparou o tratamento dado ao mensalão petista ao modo como se aborda o mensalão tucano.

— O que aconteceu com o mensalão, eu não vi agora no caso de Minas Gerais. Ninguém gritou e o processo voltou para (a Justiça de 1ª instância de) Minas Gerais. Ou seja, são dois pesos e duas medidas — comentou.

Sobre a prisão de seu ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, Lula disse que ele deveria estar em prisão domiciliar e que o que acontece com ele é um "abuso muito grave do poder e da lei.

— Os mesmos que defendiam a forca para o Zé Dirceu defendem julgamento civilizado e tranquilo aos outros. ê o que deveria ser para todos — avaliou.

A atuação de Joaquim Barbosa

Questionado se tinha arrependimento pela indicação de Joaquim Barbosa ao Supremo Tribunal Federal, devido à atuação do ministro no julgamento do processo do mensalão, Lula respondeu que não.

— Não indiquei o Barbosa para julgar o mensalão, mas porque eu queria que a gente tivesse um advogado negro na Suprema Corte brasileira. O comportamento dele é da inteira responsabilidade dele — disse, afirmando ainda que, de todos os currículos na época, o de Barbosa era o melhor.

Ele afirmou que, se fosse presidente hoje e tivesse as informações de Joaquim Barbosa que recebeu na época, o nomearia de novo como ministro. O ex-presidente afirmou ainda que, no caso do mensalão, avalia que "teve gente que se comportou equivocadamente". Mas ele destacou que o STF também realizou julgamentos importantes, como a aprovação do uso de células-tronco embrionárias em pesquisas e o reconhecimento da união civil entre pessoas do mesmo sexo.

— Uma coisa que é grave é que tem muita gente falando demais na Suprema Corte. Ela tem de se manifestar nos autos do processo — criticou.

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