Depoimento

Madrasta absolve amiga de participação na morte de Bernardo, diz advogado

Graciele Ugulini teria dito que Edelvânia Wirganovicz ajudou na ocultação do corpo do menino

Por: Marcelo Monteiro, de Ijuí
30/04/2014 - 18h09min

O defensor de Edelvânia Wirganovicz, acusada de participação na morte de Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, afirmou que o depoimento da madrasta do garoto, Graciele Ugulini, isentou sua cliente de culpa no assassinato. Segundo o advogado Demétrius Eugênio Grapiglia, depois da morte do menino, que teria sido acidental, Graciele teria pressionado Edelvânia a ajudá-la na ocultação do corpo.

— Ela (Graciele) ratificou que a minha cliente, Edelvânia, participou tão e somente da ocultação de cadáver. O depoimento da Graciele é extremamente esclarecedor.

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Segundo Grapiglia, Graciele afirmou no depoimento que a morte teria sido acidental. Conforme o relato, as duas amigas foram com Bernardo a Frederico Westphalen para um compromisso de Graciele e também para a compra de uma TV. Como o garoto era "muito ativo", teria justificado Graciele à polícia, ela teria lhe dado remédio — a morte teria sido causada em razão de uma superdosagem do produto.

Ainda de acordo com o defensor, Graciele afirmou que, inicialmente, as duas pensaram em ir à polícia. Mas, temendo que pudessem acabar detidas, desistiram. A madrasta, então, teria pressionado a Edelvânia a ajudá-la a ocultar o corpo.

Por fim, o advogado pediu à polícia que divulgue o inteiro teor do depoimento:

— Desafio a autoridade policial a apresentá-lo. A população inteira do Brasil está querendo saber o que aconteceu, a verdade real dos fatos. Gostaria que a autoridade apresentasse o depoimento à população e verificasse se neste depoimento existe alguma palavra que não seja exatamente a versão que a Edelvânia vem dizendo desde o início.


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Relembre o caso

Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, desapareceu no dia 4 de abril, uma sexta-feira, em Três Passos, município do Noroeste. De acordo com o pai, o médico cirurgião Leandro Boldrini, 38 anos, ele teria ido à tarde para a cidade de Frederico Westphalen com a madrasta, Graciele Ugulini, 32 anos, para comprar uma TV.

De volta a Três Passos, o menino teria dito que passaria o final de semana na casa de um amigo. Como no domingo ele não retornou, o pai acionou a polícia. Boldrini chegou a contatar uma rádio local para anunciar o desaparecimento. Cartazes com fotos de Bernardo foram espalhados pela cidade, por Santa Maria e Passo Fundo.

Na noite de segunda-feira, dia 14, o corpo do menino foi encontrado no interior de Frederico Westphalen dentro de um saco plástico e enterrado às margens do Rio Mico, na localidade de Linha São Francisco, interior do município.

Segundo a Polícia Civil, Bernardo foi dopado antes de ser morto com uma injeção letal no dia 4. Seu corpo foi velado em Santa Maria e sepultado na mesma cidade. No dia 14, foram presos o médico Leandro Boldrini — que tem uma clínica particular em Três Passos e atua no hospital do município —, a madrasta e uma terceira pessoa, identificada como Edelvania Wirganovicz, 40 anos, que colaborou com a identificação do corpo.

 
 
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