Efeito Crimeia

Manifestantes ucranianos pró-russos ocupam prédios públicos no leste da Ucrânia

Em Donetsk, grupo pede referendo de separação similar ao da Crimeira, e em em Kharkiv houve confronto

06/04/2014 | 16h36
Manifestantes ucranianos pró-russos ocupam prédios públicos no leste da Ucrânia ALEXANDER KHUDOTEPLY/AFP
Cerca de 50 manifestantes invadiram o prédio em Donetsk e gritavam "Donestk é uma cidade russa" Foto: ALEXANDER KHUDOTEPLY / AFP

Manifestantes favoráveis à Rússia invadiram neste domingo o edifício da administração provincial na cidade de Donetsk e a sede da administração de Karkiv, ambas cidades no leste da Ucrânia.

Essa região, na fronteira com a Rússia, registra todos os domingos manifestações por uma união com Moscou desde a queda do governo de Kiev, no fim de fevereiro.

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Em Donetsk, principal cidade da região mineradora de Donbas, mais de 2 mil pró-russos participaram de um ato perto da sede da administração da província, cercada por mais de 200 policiais.

Os manifestantes agitavam bandeiras russas e exibiam cartazes com lemas como "Donetsk, cidade russa", "Fora Otan" e "Queremos um referendo", em alusão ao processo que no mês passado deu a independência para a província da Crimeia, que se juntou à Rússia pouco tempo depois.

Cerca de 150 manifestantes conseguiram invadir o edifício.

Vários deles retiraram a bandeira ucraniana do prédio e hastearam em seu lugar uma bandeira russa.

Um correspondente da AFP indicou que os policiais deixaram a sede da administração.

As imagens divulgadas pelo site Novosti Donbassa (Notícias de Donbass) mostram manifestantes na entrada do prédio, gritando "Rússia! Rússia!", enquanto um deles, usando um megafone, afirma: "Isto não é o fim, é apenas o começo".

O procurador de Donetsk disse à AFP que uma investigação foi aberta sobre a tomada do local.

No leste da Ucrânia, de maioria linguística russa, há uma grande tensão desde que o presidente Viktor Yanukovytch, favorável à Rússia, foi deposto por manifestantes pró-europeus e por grupos ultranacionalistas de extrema-direita.

Várias pessoas morreram em protestos.

Manifestantes também se reuniram em grande número diante de um edifício dos serviços de segurança ucranianos (SBU) em outra grande cidade do leste do país, Lugansk, depois de um comício pró-russo, constatou um fotógrafo da AFP.

Alguns encapuzados pediam a libertação dos militantes pró-Rússia detidos durante as manifestações anteriores. Primeiro jogaram ovos e depois pedras contra a sede do SBU. Várias janelas foram quebradas.

A polícia tentou afastá-los com bombas de gás lacrimogêneo. Mas eles conseguiram arrombar a porta de entrada, e alguns invadiram o local.

Enquanto isso, em Kharkiv, outra importante cidade do leste, houve confrontos entre um pequeno grupo de nacionalistas e manifestantes pró-russos. Os primeiros foram obrigados a deixar a área de joelhos, constatou a AFP. Os nacionalistas — chamados de fascistas por Moscou e pelos pró-russos- só conseguiram se afastar totalmente sob proteção policial.

Os manifestantes pró-Rússia arriaram a bandeira ucraniana e içaram o pavilhão russo na sede da administração regional. Dezenas de manifestantes entraram no prédio quando as forças de segurança abandonaram o local, em meio ao assédio de mais de 2 mil pessoas. A polícia se mantinha a cerca de 50 metros do prédio.

O presidente russo, Vladimir Putin, comprometeu-se a defender de todas a formas as populações de língua russa das repúblicas que fizeram parte da União Soviética.

A crise entre a Rússia e a Ucrânia teve como consequência a incorporação da república da Crimeia à Federação Russa após um referendo que o governo ucraniano e os países ocidentais não reconhecem.

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