Menos de um ano para o fim

PAC Cidades Históricas tem apenas três de 29 ações em obras no Estado

Há risco de os responsáveis perderem a verba federal de R$ 150 milhões

28/04/2014 - 11h01min
PAC Cidades Históricas tem apenas três de 29 ações em obras no Estado Marcel Ávila/Especial
Mercado Municipal de Jaguarão, fechado desde o ano passado, aguarda verba para a restauração Foto: Marcel Ávila / Especial  

Dos 29 pontos que seriam revitalizados em Porto Alegre, Pelotas, Jaguarão e São Miguel das Missões no PAC Cidades Históricas, só três estão em obras.

Há risco de os responsáveis perderem os mais de R$ 150 milhões de verba federal aplicados no projeto. E de os patrimônios — muitos centenários — seguirem em agonia. Para isso não acontecer, é preciso publicar a licitação de cada obra até julho deste ano. Fora os três prédios históricos já em restauração, só um cumpriu a exigência até agora.

A maioria das informações vem de um relatório sobre o andamento do PAC no Rio Grande do Sul. Nele, consta que há obras apenas no Mercado Público de Porto Alegre. O restante dos projetos ainda estaria na primeira etapa, a "ação preparatória".

— Inicialmente o Mercado Público de Porto Alegre não estava no PAC. Mas quando houve o incêndio, a presidente Dilma (Rousseff) ligou para o Fortunatti (prefeito da Capital) para incluí-lo no programa imediatamente. Por isso, e por já ter um projeto pronto, andou mais rápido do que os demais — explica a coordenadora do PAC Cidades Históricas em Porto Alegre, Briane Bicca.

Como o relatório foi divulgado neste mês, mas as informações são de dezembro, há atualizações em Jaguarão. Lá, a reforma do Teatro Esperança já está quase no fim e em junho o local deve ser reinaugurado. Também está sendo finalizada a restauração da antiga Enfermaria Militar.

Em Pelotas, nenhuma licitação foi publicada. Com 180 anos, o Theatro Sete de Abril permanece fechado por risco de desabamento. Atualmente, o prédio passa por uma reforma no teto, mas os recursos do PAC — que iriam financiar o restauro de todo o resto, como cadeiras e paredes — não estão garantidos até a publicação da licitação. Gerente de memória e patrimônio da cidade, Gisela de Albuquerque Frattini é otimista:

— Se avançarmos um pouquinho mais, tudo vai dar certo. 

Pipoqueiro Sebastião Sarmento Leite trabalhava com o pai no Cine Regente Foto: Marcel Ávila, Especial)

A reforma do Cine Regente, que abriu em 1957, e cerrou as portas na década de 1990, é uma das mais esperadas em Jaguarão. O imóvel permanece fechado. O governo aprovou a restauração, mas não está certo se o prédio, que é privado, será contemplado.

O pipoqueiro Sebastião Sarmento Leite é um dos mais ansiosos. Quando o cinema funcionava, era comum vê-lo ocupando uma das 900 cadeiras do Regente.

— Um menino que vendia amendoim cuidava (das pipocas) para mim e eu ia lá ver filmes. — conta Leite, que, aos 15 anos, cuidava da barraca de pipoca do pai.

A restauração foi aprovada, mas não está certo se o prédio, que é privado, será contemplado.

— Estamos regularizando a situação da sociedade para depois ver a questão do restauro — diz o advogado Filipe Ribeiro.

A secretaria adjunta de Cultura e Turismo, Andréa da Gama Lima, sonha com sessões gratuitas, já que a administração seria compartilhada com a prefeitura. Mas admite dificuldades. Para garantir a verba precisa que a licitação seja lançada até julho, e, antes, as pendências jurídicas têm que ser resolvidas.

O guardião do Mercado Municipal de Jaguarão

Lino Melgari é o zelador do Mercado Municipal de Jaguarão, uma das obras que deve sair do papel (Foto: Marcel Ávila, Especial)

Lino Melgari, zelador e guardião do Mercado Municipal de Jaguarão, evita arrombamentos noturnos e espalha boatos de que câmeras de seguranças guarnecem um dos patrimônios arquitetônicos da cidade fronteiriça. Tenta proteger como pode o prédio que iluminou a sua infância.

— Era tão bonito, tão bonito. E tinha tanta gente, tanta gente — repete no eco do mercado vazio.

A construção do século 19 foi fechada pelo Corpo de Bombeiros no ano passado. Os poucos vendedores que resistiam à má conservação do prédio tiveram que sair. É uma das apostas do PAC com maior chance de sair do papel: já teve a licitação publicada e, assim, tem garantia de restauro.

Melgari espera rever o mercado movimentado. É provável que as carroças que traziam alimentos do Interior e os meninos que "usavam tamancas" fiquem apenas no passado. Mas, reformado, acredita Melgari, o mercado voltará a receber velhos amigos que tomavam mate e jogavam conversa fora enquanto faziam suas compras.



Veja as obras do PAC Cidades Históricas no RS

Jaguarão

Restauração da antiga Inspetoria Veterinária

Restauração da Igreja Matriz do Divino Espírito Santo

Finalização da restauração do Teatro Esperança

Requalificação da Praça Dr. Alcides Marques e Largo das Bandeiras

Restauração do antigo Fórum — Casa de Cultura

Restauração do Casarão Clube Social 24 de Agosto

Restauração do Casarão da Prefeitura Municipal

Restauração do Casarão do Clube

Restauração do Cine Regente

Restauração do Mercado Público

Universidade Federal

Finalização da restauração da antiga Enfermaria Militar - Centro de Interpretação do Pampa - Unipampa

Sinalização turística

Pelotas

Etapa final da restauração da Casa 2 - Centro Cultural Adail Bento Costa

Implantação do Museu da Cidade de Pelotas (Casa 6)

Requalificação da Pça. Cel. Pedro Osório e travessias acessíveis (Etapa final)

Restauração dos galpões anexos à Estação Férrea - Centro Administrativo Municipal

Restauração Sete de Abril

Etapa final da obra do Antigo Grande Hotel

Sinalização turística

Porto Alegre

Etapa final da restauração do Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa

Restauração da antiga sede dos Correios - Memorial do Rio Grande do Sul e o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul

Restauração do Museu de Arte do Rio Grande do Sul

Restauração do Museu Júlio de Castilhos

Finalização da obra de restauração do Palacete Argentina e anexo - Iphan

Finalização da requalificação da Praça da Alfândega

Finalização da restauração do Casarão da Pinacoteca Rubem Berta

Requalificação da Praça da Matriz e restauração do Monumento à Júlio de Castilhos

Restauração do Mercado Público

Construção do Centro de Convenções

São Miguel das Missões

Implantação do Complexo Cultural do Sítio de São Miguel Arcanjo: Sede do Iphan, anexo do Museu das Missões, Centro de Atendimento ao Turista e Centro de Interpretação das Missões e Centro Cultural

Requalificação urbanística do entorno do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo

Implantação de sistema de proteção contra descargas atmosféricas nas Ruínas de São Miguel

Sinalização turística

 
 
 
 
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