Caso Kunzler

Promotor pede reconstituição dos passos de publicitário antes da morte: "precisamos aprofundar"

Polícia tenta convencer testemunha a prestar depoimento ao Ministério Público e diz que inquérito passou a ser sigiloso

01/04/2014 | 13h01
Promotor pede reconstituição dos passos de publicitário antes da morte: "precisamos aprofundar" Dulce Helfer/Agencia RBS
Após 36 dias, investigação da morte de Kunzler segue em aberto e recheada por ingredientes inusitados Foto: Dulce Helfer / Agencia RBS

Ainda sem elementos para oferecer denúncia à Justiça, o promotor criminal Fabiano Dallazen solicitou à Polícia Civil a reconstituição dos passos do publicitário Lairson José Kunzler, 68 anos, antes de ser morto em 24 de fevereiro. Dallazen quer saber onde a vítima esteve, com quem conversou e o que fez até entrar na agência do banco Itaú, bairro Moinhos de Vento, de onde foi seguido e morto na porta do condomínio em que morava, na zona sul de Porto Alegre.

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– A polícia terá de achar uma forma de me dizer. Pode ser por meio de testemunhas e câmeras da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). O inquérito ainda não teve todos os elementos suficientes para denunciar, há dúvidas que precisamos esclarecer, por isso fiz o pedido. Precisamos aprofundar mais a investigação – afirma o promotor.

Após 36 dias, o caso policial de maior repercussão no Estado em 2014 segue em aberto e recheado por ingredientes inusitados. Dois suspeitos já foram presos, entre eles o detento do regime semiaberto Jaerson Martins de Oliveira, 41 anos, e soltos por insuficiência de provas, perícias ainda não surtiram resultados e até um raro testemunho anônimo registrado em tabelionato ajuda a embaralhar a investigação.

O assalto que resultou na morte foi gravado por câmeras do condomínio em que Kunzler morava. As imagens, porém, pouco ajudam. O criminoso aparece com o rosto oculto pelo capacete. O assaltante abriu uma porta do Civic da vítima e roubou R$ 44,2 mil, mas suas digitais seguem sem identificação.

Veja as imagens das câmeras de vigilância que identificam os criminosos

A polícia encontrou o que chamou de testemunha-chave. Um comerciante disse ter visto o matador logo após o crime e identificou Jaerson por fotografias. O suspeito, que cumpria pena em regime semiaberto por assaltos, foi preso em 13 de março. A delegada Aurea Regina Hoeppel, da 6ª DP, se convenceu de que ele é o assassino. Mas advogados apresentaram um vídeo em que Jaerson apareceria trabalhando em uma loja de suplementos alimentares na hora do crime. Ele acabou solto, e o inquérito foi devolvido à 6ª DP para novas investigações.

– O meu trabalho é apresentar a testemunha ao promotor para convencê-la de prestar depoimento. A investigação nunca parou. Pedi comparação de fotos e filmagens ao Instituto-Geral de Perícias (IGP). Nossa prioridade, hoje, está na prisão do dono da Scenic. O caso é complicado desde o começo. A investigação agora passa a ter um caráter mais sigiloso – ressalta Aurea.

Conforme Cléber Ferreira, diretor da Delegacia de Polícia Regional de Porto Alegre, o trabalho da delegada da 6ª DP não está sendo questionado. Ele confia na elucidação do caso:

– Ela tem competência para isso. Eu, como chefe direto dela, confio plenamente no trabalho. Ela vai concluir o trabalho que tem de ser feito. O depoimento em cartório se torna apenas um indício, evidentemente que o juiz não pode condenar por aí, mas eu confio no trabalho dela.

Veja imagens do momento em que o publicitário é morto

 
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