Estrutura precária

Sem barcos, bombeiros usam linha da hidrovia Porto Alegre-Guaíba em resgate

Barco serviu de suporte para mergulhadores da BM retirarem corpo de dentro do Guaíba

30/04/2014 - 18h05min

Para resgatar o corpo do jovem Yuri Cabral Bottaro, que tombou dentro de um carro da Ponte do Guaíba na manhã desta quarta-feira, o Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros pediu ajuda da CatSul, empresa que realiza transporte hidroviário entre Porto Alegre e Guaíba. A solicitação foi feita porque as duas embarcações do Corpo de Bombeiros, que poderiam ter sido empregadas na ocorrência, estavam fora de operação — uma em revisão e a outra em conserto.

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A informação é do comandante do Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros, o major Roberto do Canto Wilkoszymske. Como o acidente ocorreu no canal onde navegam grandes embarcações, explica o oficial, a operação se tornaria arriscada se fossem utilizados apenas os únicos dois botes disponíveis no momento.

— O local era perigoso para ficar com embarcação pequena. Os barcos grandes que passam por ali poderiam não ver os mergulhadores. Pedimos que o Catamarã ficasse no local para impedir a passagem de embarcações de médio e grande porte — explica ele.

De acordo com o major Canto, o catamarã serviu também de base de operações, reunindo as ampolas e cilindros de ar dos mergulhadores, que atuaram a 30 metros das margens e a 10 metros de profundidade.

Dos quatro barcos da corporação, uma embarcação nova estava em revisão de rotina do motor e outra permanecia m conserto no estaleiro. Ambas medem 6,6 metros de comprimento.

VÍDEO: veja como foi a retirada do veículo

— Deu uma triste coincidência, que felizmente não comprometeu a operação. Mas foi uma pena acontecer essa ocorrência justamente hoje, quando nossos barcos não estavam aqui. Não é todo dia que um carro cai da ponte _ disse o major Canto.   

De acordo com a CatSul, o Catamarã foi cedido quando os bombeiros solicitaram auxílio para a estabilização da base de mergulhadores:

— Nosso barco estava a caminho da manutenção, na Ilha dos Marinheiros, e parou para prestar ajuda — diz o diretor da empresa, Carlos Bernaud.

Para o tenente-coronel da reserva e presidente da Associação dos Oficiais da BM, José Carlos Riccardi, ocorreu algo que já era esperado.

— Há tempos alerto sobre a precariedade da estrutura dos Bombeiros. Nos anos 30 estávamos mais preparados para combater uma ocorrência na água do que hoje.

 
 
 
 
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