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Caso Kunzler

Testemunha reconhece suspeito de matar publicitário em Porto Alegre através de fotos e vídeo

Comerciante identificou suposto matador em pelo menos 10 imagens em depoimento prestado em cartório

03/04/2014 | 05h01
Testemunha reconhece suspeito de matar publicitário em Porto Alegre através de fotos e vídeo Reprodução/Polícia Civil
Frieza de assaltante foi flagrada pelo circuito interno de condomínio Foto: Reprodução / Polícia Civil

A convicção que levou a Polícia Civil a pedir a prisão preventiva de Jaerson Martins Oliveira, suspeito de matar durante um assalto o publicitário Lairson José Kunzler, 68 anos, deriva de um testemunho considerado decisivo – ao qual ZH teve acesso.

O depoimento foi prestado por um comerciante de 46 anos que reside na zona sul de Porto Alegre, onde o publicitário foi morto. Policiais apresentaram a esse empresário 10 fotos diferentes de Jaerson e, em todas as ocasiões, ele foi taxativo ao reconhecer o presidiário – ele cumpre pena por latrocínio, trabalha de dia e pernoita em um albergue prisional – como o homem que lhe apontou um revólver, minutos após o assassinato de Kunzler.

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A testemunha identificou Jaerson em outras duas oportunidades: uma segunda vez para a Polícia Civil e outra perante o tabelião de um cartório, onde prestou depoimento juramentado. O reconhecimento não foi apenas por fotografias, mas também em um vídeo fornecido pela Superintendência dos Serviços Penitenciários em que aparece o suspeito.

Jaerson, que estava preso preventivamente, teve a prisão revogada pelo juiz Joni Simões, da Vara Criminal da Tristeza, por um detalhe decisivo: o presidiário apresentou imagens do circuito fechado da loja onde trabalha, mostrando que estava trabalhando no horário do assalto. Pesou também na decisão do magistrado o fato de a testemunha-chave da polícia não ter se identificado.

A testemunha efetivamente só concordou em prestar depoimento após três policiais insistirem. Foi ela quem ligou para a 6ª Delegacia da Polícia Civil (que investiga o caso), informando sobre o suposto matador. O depoente só concordou em formalizar seu depoimento em um cartório, pois teme que seu depoimento em juízo propicie seu reconhecimento pelos matadores do publicitário.

Desconfiada de que a data constante na imagem pode ter sido forjada, a delegada Áurea Regina Hoeppel, titular da 6ª DP, pediu o HD do computador que gravou a cena. O material foi entregue ontem e já se sabe que as gravações dos últimos 30 dias são parciais.

O vídeo será periciado por técnicos da Seção de Informática Forense. Eles utilizarão um software chamado de Encase Forense, que exporta relatórios com as listas de todos os arquivos e pastas, e verifica datas e horários em que os vídeos foram gravados.

Encontro com matador ocorreu em uma rótula

O encontro da testemunha com o suposto matador foi casual. Por volta do meio-dia de 24 de fevereiro, o comerciante ia de carro para casa quando, na rótula da Avenida Cavalhada com a Estrada Monte Cristo, deparou com um Scénic cinza parado ao lado de uma moto, trancando o cruzamento.

– Pensei que era acidente, mas aí o caroneiro da moto desceu e me apontou um revólver, dizendo “Passa!”. Estava uns 10 metros distante. Pensei que era sequestro, engatei a ré e voltei em velocidade. O sujeito deixou a moto e entrou no carro, pela traseira. O veículo seguiu até a Avenida Eduardo Prado. O piloto da moto foi pela Monte Cristo – descreveu a testemunha.

Ele ligou para a BM, mas o fone 190 estava ocupado. O comerciante só relacionou o fato com a morte do publicitário quando ouviu pelo rádio, naquela tarde, o relato sobre o latrocínio de Kunzler. Ao depor, tanto na Polícia Civil quanto no cartório, a testemunha deu detalhes: a placa do Scénic começa com JGG.

O veículo tem equipamento para transportar pranchas e engate de reboque. O motoqueiro que lhe apontou a arma usava bermuda jeans azul, camiseta azul de manga curta e tênis esportivo Diadora.

Com base nas informações do comerciante, a Polícia Civil requisitou imagens de câmeras de monitoramento da EPTC de quatro locais diferentes. Após verificar 10 horas de imagens, foi identificado o Scénic na Avenida 24 de Outubro (próximo ao lugar onde o publicitário sacou dinheiro levado pelos ladrões) e duas vezes na Avenida Cavalhada. Num dos locais ele foi multado em um controlador de velocidade

A placa levou à identificação de um suposto envolvido no crime, que está foragido. A delegada ouviu até agora mais de 10 pessoas, incluindo gerente, caixas e guardas do banco, além de familiares da vítima.

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