Ainda é muito

Veja a repercussão da correção do Ipea em pesquisa sobre estupro

Nas redes sociais, erro gerou revolta e também virou piada

Atualizada em 04/04/2014 | 20h0004/04/2014 | 17h14
Veja a repercussão da correção do Ipea em pesquisa sobre estupro Reprodução/Facebook
Página da prefeitura publica imagem logo após correção do Ipea. Foto: Reprodução / Facebook

Minutos após o Ipea divulgar que havia erro na pesquisa publicada na semana passada na qual 65% dos brasileiros concordavam que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas, a página POAdigital, administrada pela prefeitura de Porto Alegre, publicou uma imagem com a frase "26% ainda é muito".

Ipea errou em pesquisa que indicava que mulheres com pouca roupa deveriam ser atacadas

Vinte minutos após a sua publicação, a imagem registrava 13 curtidas e 22 compartilhamentos. "Ipea divulga correção de pesquisa: o índice de brasileiros que concordam com a frase "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas" é de 26%", dizia ainda a publicação da página.

Logo depois foi criado o tumblr O Ipea apurou, que faz piada com o erro apresentado nos gráficos do Instituto. "95% dos 65% dos 32% das descrições são feitas por 23% da pessoas que não, pera", brinca a linha de apoio da página.

Confira um dos gráficos do tumblr: 

 
No twitter, a opinião dos usuários se dividiu. Enquanto alguns ainda defendiam que 26% de pessoas concordando que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser estupradas" ainda é um número alto, outros preferiram o humor para se manifestar sobre o equívoco.

Confira alguns tuítes:











Leia um trecho da errata divulgada pelo Ipea:

"Vimos a público pedir desculpas e corrigir dois erros nos resultados de nossa pesquisa Tolerância social à violência contra as mulheres, divulgada em 27/03/2014. O erro relevante foi causado pela troca dos gráficos relativos aos percentuais das respostas às frases Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar e Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas.

Corrigida a troca, constata-se que a concordância parcial ou total foi bem maior com a primeira frase (65%) e bem menor com a segunda (26%). Com a inversão de resultados entre as duas questões, relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente por seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação e motivou amplas manifestações e debates na sociedade ao longo dos últimos dias.

Contudo, os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de quese as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. As conclusões gerais da pesquisa continuam válidas, ensejando o aprofundamento das reflexões e debates da sociedade sobre seus preconceitos. Pedimos desculpas novamente pelos transtornos causados e registramos nossa solidariedade a todos os que se sensibilizaram contra a violência e o preconceito e em defesa da liberdade e da segurança das mulheres."

 
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