Cenário de nevasca

Após chuva de granizo, ruas de SP amanhecem cobertas de gelo

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências, o descongelamento pode demorar alguns dias para acontecer

19/05/2014 | 09h20
Após chuva de granizo, ruas de SP amanhecem cobertas de gelo NELSON ANTOINE/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Gelo ainda cobre ruas no bairro da Aclimação, na manhã desta segunda-feira, após a forte chuva de granizo que atingiu São Paulo na tarde deste domingo Foto: NELSON ANTOINE / FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Mais de 16 horas após a forte chuva de granizo que atingiu a capital paulista no final da tarde deste domingo, ruas dos bairros Aclimação e Morumbi, na zona sul, permanecem cobertas de gelo.

Agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) orientam o trânsito nas áreas mais afetadas, pois a pista escorregadia aumenta o risco de acidentes. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a tendência é que o descongelamento total demore alguns dias para ocorrer.

O meteorologista Thomaz Garcia, do CGE, explica que essa demora está relacionada, entre outras questões, às condições de formação dessas gotículas.

— Além da grande quantidade de chuva, os cristais de gelo se formaram em uma atmosfera muito fria, abaixo de 40 °C negativos — explicou. O fato de a superfície terrestre também estar resfriada, com média de 15°C em São Paulo, também dificulta o derretimento.

Garcia destaca que esse fenômeno é mais comum na primavera e no verão. Os bairros mais atingidos pela chuva de granizo foram Campo Limpo, Morumbi, Aclimação e Vila Andrade, na região sul da cidade.

Transtornos

A chuva de granizo começou pelo centro da cidade. Centenas de pessoas que aproveitavam as apresentações da 10ª Virada Cultural de São Paulo tiveram de sair correndo para as marquises, na tentativa de se proteger do gelo e do vento forte. Alguns shows, como o de Valesca Popozuda e o da cantora Céu, foram cancelados.

Na Avenida 9 de Julho, ao lado da Praça da Bandeira, também na região central, um ponto de alagamento fechou a pista no sentido bairro por cerca de 50 minutos.

— Não tem como ficar com criança aqui e essa chuva de granizo. Acabei de sair da estação do metrô e já vou voltar. Fica para a próxima — lamentou Renato Goes, de 42 anos, que estava com os dois filhos pequenos, de 3 e 6 anos, saindo da estação Marechal Deodoro para assistir os últimos shows da Virada, por volta das 17h30.

Na região da Avenida Paulista, um dos pontos mais altos da cidade, o temporal de granizo assustou quem estava a passeio.

— A gente já viu tanta enchente em São Paulo pela televisão que achei que agora ia ser realmente um temporal daqueles. Deu medo, mas ainda bem que foi rápido — disse a farmacêutica Ligia Marly de Almeida, de 41 anos, turista de Curitiba. Que ainda completou:

— Parece que nevou mesmo, no final foi até bonito.

Na Aclimação, na zona sul, um tapete branco se formou em avenidas como a Muniz de Souza e a Lins dos Vasconcellos. A mesma cena se repetiu no Morumbi e nas ruas do Campo Limpo, na mesma região. Pelas redes sociais, as fotos das ruas cobertas de branco vinham de todas as áreas da capital. Até em cidades do ABC houve registro de granizo.

Na Rodovia Régis Bittencourt os alagamentos provocaram lentidão na chegada a São Paulo. Já na Raposo Tavares, uma queda de barreira fechou o tráfego por 40 minutos no km 30, por volta das 17h.

Susto

O voo Gol 1075, que saiu de Presidente Prudente às 15h26 com destino ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, arremeteu duas vezes antes de conseguir pousar em Viracopos, na cidade de Campinas. Com previsão de chegada às 16h29 em Congonhas, o avião encontrou o aeroporto fechado por causa do temporal — Congonhas fechou por 20 minutos, entre as 16h23 e as 16h42.

O piloto arremeteu e prosseguiu para o Aeroporto de Cumbica, onde também teve de arremeter por causa do mau tempo. A aeronave seguiu, então, para Viracopos, a terceira opção, e pousou às 17h17. Depois de uma hora de espera, às 18h20, o avião decolou novamente e conseguiu pousar em Congonhas, às 18h55, duas horas e meia depois da previsão inicial. A Gol informa que o procedimento de arremetida é comum e seguro e que os passageiros não correram risco durante as manobras.

* Zero Hora, com agências

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