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Sem sucesso

Mesa de diálogo não agrada envolvidos em conflito agrário

Medida do governo federal proposta para Faxinalzinho não deu certo em Sananduva, ambas cidades do norte do Estado

08/05/2014 | 18h04min
Mesa de diálogo não agrada envolvidos em conflito agrário CARLOS MACEDO/Agencia RBS
Índios bloqueiam a estrada que liga Faxinalzinho a Benjamin Constant do Sul Foto: CARLOS MACEDO / Agencia RBS

Anunciada pelo governo federal como uma solução para mediar o conflito agrário em Faxinalzinho, no norte do Estado, a criação de uma mesa de diálogo não agradou os envolvidos. O motivo é a inatividade da medida em Sananduva, na mesma região.

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Instalada em novembro de 2013 em uma visita do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo ao Rio Grande do Sul, a mesa de diálogo que prometia mediar o conflito agrário em Sananduva, onde um confronto entre agricultores e índios deixou quatro feridos, não teve seguimento. O representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul do Brasil (Fetraf-Sul) na região, Sidimar Luiz Lavandoski, afirma que não considera a mesa oficialmente iniciada, já que não houve reuniões desde a visita de Cardozo.

— Fomos enrolados. Criaram a mesa, mas não colocaram ela funcionar e o clima ficou ainda mais tenso — afirma Lavandoski.

Segundo ele, os produtores rurais tinham na mesa de diálogo a esperança de uma ação concreta para a disputa agrária que se arrasta há quase dez anos. Os indígenas reivindicam uma área de 1,9 mil hectares em Sananduva e Cacique Doble, onde pretendem assentar 64 famílias. No local, residem 110 famílias de agricultores familiares.

Zaqueu Kaingang, presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Grande do Sul, afirma que a mesa de diálogo criada no Estado foi um “falso debate”.

— A mesa de Sananduva não prosperou.  A morosidade estatal acaba acirrando o conflito, o que não é bom para os envolvidos — opina.

Solução para conflito em Faxinalzinho é urgente

Devido ao exemplo sem sucesso, Kaingang afirma que a proposta do Ministério da Justiça de criar uma segunda mesa de diálogo em Faxinalzinho desagradou os indígenas.

— Não temos interesse em ir a Brasília ou a Porto Alegre. Já viajamos muito nesses 12 anos em que reivindicamos a terra — afirma o presidente.

Os indígenas de Faxinalzinho esperavam uma visita do ministro da Justiça ao Estado nesta quarta-feira, mas a agenda foi cancelada. Segundo Kaingang, esta seria a quinta vez que uma audiência com de Cardozo foi desmarcada, o que causou um impacto negativo no grupo. Em protesto, os índios decidiram bloquear a estrada que liga Faxinalzinho a Benjamin Constant do Sul por tempo indeterminado.

O agricultor Ido Marcon, representante das 170 famílias envolvidas na disputa agrária em Faxinalzinho, afirma que o grupo aguarda com urgência uma medida do governo para solucionar o conflito.

— Nós podemos até participar desta mesa de diálogo, mas precisamos de uma definição do governo sobre a área. Estamos há 12 anos inseguros, sem investir nas terras, e os índios estão morando sob lonas.

Por meio de nota, o Ministério da Justiça afirmou que a reunião de instalação da mesa de diálogo para mediação do conflito em Faxinalzino será realizada em Brasília, no dia 22 de maio.

Procurada por ZH, a assessoria do Ministério da Justiça ainda não se pronunciou sobre o caso.

>> No total, a disputa agrária deixou pelo menos dois mortos e seis feridos no Rio Grande do Sul em menos de um ano:



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