Zoo de Cascavel

Criança tem braço amputado após ataque de tigre no Paraná

Menino de 11 anos havia ultrapassado a barreira de proteção e oferecia pedaço de osso ao animal em zoológico de Cascavel

31/07/2014 - 12h28min | Atualizada em 01/08/2014 - 22h26min
Criança tem braço amputado após ataque de tigre no Paraná Reprodução/
Menino avançou barreira que protegia a jaula e foi atacado pelo tigre Foto: Reprodução  

Com o braço dentro da jaula de um felino selvagem e desrespeitando a barreira de proteção, um menino de 11 anos foi atacado por um tigre na tarde de quarta-feira no zoológico de Cascavel, município paranaense distante a cerca de 500 km de Curitiba. Socorrida e encaminhada ao hospital da cidade, a criança passou por cirurgia ainda ontem e teve o braço amputado na altura do ombro. Ele não corre risco de morrer.

Antes mesmo da tragédia despertar a atenção nacional, o comportamento do menino já atraía a desconfiança de quem passeava pelo zoológico. Segundo relatos de visitantes, a criança atravessou a grade de segurança e estava, inclusive, oferecendo um osso de galinha ao felino. Entre os visitantes estava a cabeleireira Jéssica Ingles, 20 anos. Minutos antes da fatalidade, a mulher filmou o menino brincando com um leão (veja vídeo abaixo).


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– Depois, ele começou a subir na jaula do tigre, que saía de perto e voltava correndo, pulando na grade. Mesmo assim, o menino não desistiu de provocar o animal e corria de um lado para o outro. Eu e outros visitantes pedimos para ele sair de lá, mas o pai dele falava que o filho amava bichinhos — relatou Jéssica.

A cabeleireira estava a cerca de 10 metros da jaula quando escutou gritos. Ao retornar, encontrou o menino com o braço ensanguentado e acionou o serviço médico. O pai da vítima acompanhava a visita. O homem foi encaminhado ao plantão da Polícia Civil de Cascavel, prestou depoimento e foi liberado. Ainda não há informações sobre a abertura de inquérito sobre o caso.

Conforme o Hospital Universitário da cidade, onde a criança segue internada na pediatria após a operação de amputação, a família seria de São Paulo e estaria em viagem ao Paraná. O zoológico atribuiu o acidente à conduta do pai do menino.

— É difícil falar isso neste momento, mas esse tigre chegou aqui com sete meses de idade, é um animal dócil e muito pacato — disse a gerente do zoológico, Miriane Scussiatto.

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As normas de segurança de zoológicos são ditadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A administração do estabelecimento de Cascavel garante que estava dentro das diretrizes exigidas e que o tigre não será sacrificado.

— Na verdade, ele (o tigre) foi atacado — alegou Miriane.

O que diz o superintendente do Ibama/PR, Jorge Augusto Callado Afonso:

"O Zoológico de Cascavel está devidamente registrado junto ao Ibama e tem atendido às exigências relativas às questões de segurança nos recintos previstos em norma do Ibama (Instrução Normativa n° 169/08). No caso específico do tigre, a barreira ao público é constituída por um guarda-corpo com barras de ferro e tela e o afastamento do público em relação ao recinto é de 2 (dois) metros, distância superior ao exigido pela norma que prevê distância mínima de 1,5 metros.

Não haverá punição ou outra medida após o ocorrido, pois a questão não pode ser considerada como uma infração de caráter ambiental, posto que o recinto que abriga o animal envolvido encontra-se dentro das normas que regem o tema."

Guardas monitoravam o parque

O zoológico de Cascavel — administrado pelo município — é monitorado diariamente por nove guardas patrimoniais — o equivalente à Guarda Municipal de Porto Alegre. Há um profissional que fica constantemente próximo à jaula do tigre que atacou o menino, justamente por se tratar de um felino selvagem. No momento do incidente, ele não estava no local. A ausência no momento do acidente será investigada pela gerência.

Além da barreira de proteção — com altura de 1,4 metro —, o local tem uma área de segurança de 2 metros e uma placa que alerta: "Perigo. Não ultrapasse". Apesar de consideradas regulares pelo próprio zoológico, as condições de segurança são inferiores ao zoológico gaúcho de Sapucaia do Sul, por exemplo. No estabelecimento gaúcho, não é possível se aproximar das jaulas dos felinos já que as mesmas se encontram em um nível 1,5 metro abaixo do visitante. Também existe um fosso d'água, um parapeito e um jardim que separa o público dos animais — o que corresponde a 4 metros de distância.

— A estrutura é bem diferente. Nós temos as nossas medidas de segurança para evitar ao máximo que esse tipo de acidente aconteça. É impossível a aproximação direta dos leões e dos tigres — afirmou o chefe da divisão de reserva do Zoo de Sapucaia, Delaney Fagundes.

Nos 37 anos de história do zoológico de Cascavel, este foi o primeiro acidente envolvendo animais.

 
 
 
 
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