Geração do crime

Dez anos após onda de ataques a carros-fortes, saiba onde estão os principais criminosos

O que aconteceu com os seis ladrões de carros-fortes mais temidos do RS

31/07/2014 | 16h53
Dez anos após onda de ataques a carros-fortes, saiba onde estão os principais criminosos Jefferson Botega/Agencia RBS
Criminosos utilizavam caminhões para colidir com os carros-fortes e forçá-los a parar Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS

Em 2004, uma onda de 11 ataques a carros-fortes em pouco mais de 12 meses levou a Secretaria da Segurança Pública e empresas de transporte de valores a distribuir 4 mil cartazes por todo o Estado, com nomes e fotos de seis entre os homens, os mais perigosos entre os envolvidos em assaltos a carros-fortes no sul do país.

Era o momento mais crítico de um período em que quadrilhas disseminaram o terror nas estradas para atacar blindados, bloqueando rodovias, pontes, provocando tiroteios, sequestros e mortes. As imagens foram espalhadas por postos policiais, estações rodoviárias e estabelecimentos comerciais. Em paralelo, ações das autoridades reduziram a lista gradativamente. Uma década depois, a maioria dos criminosos está fora de ação.

O último em atividade, Carlos Ivan Fischer, o Teco, 47 anos, morreu em um confronto com agentes da Delegacia de Roubos e Extorsões do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e de Delegacia Especializada de Santa Cruz, em 6 de junho, em Candelária. Teco estava acompanhado de outros três comparsas sem histórico de ataques a carros-fortes — dois deles também tombaram, e o terceiro foi preso.

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Teco fez parte de um bando que nasceu e se ramificou a partir da união de criminosos da Serra e do Vale do Rio Pardo, e atormentou o Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina. O maior expoente era José Carlos dos Santos, o Seco. Além de atacar carros-fortes, quadrilheiros usavam dinamites para estourar cofres e sitiaram cidades com assaltos simultâneos a agências bancárias.

Os criminosos formaram parcerias com homens da lei que trocaram de lado como os ex-PMs Jorge Ivanes Butzke, Wanderley Grehs, além de Fernando Camargo Teixeira e Daniel Borges Martins (os dois primeiros presos e os dois últimos mortos em confronto com policiais rodoviários federais, em 2008).

Teco foi o último a sair de cena. Apesar de ter sido preso cinco vezes — e ter fugido em quatro delas —, nunca foi punido com penas elevadas e dias antes de morrer estava em liberdade condicional.

— Era muito meticuloso e ao longo dos anos agregou a ele novas pessoas, inclusive o Elisandro Falcão (morto em um ataque a fábrica de jóias na Serra, em dezembro de 2012) — afirma o delegado Joel Wagner, da Delegacia de Roubos e Extorsões.

Apesar do grupo de 2004 estar fora de circulação, é impossível afirmar que ataques a carros-fortes deixarão de acontecer.

— Certamente vai sofrer um baque, tendo em vista o gabarito dessas pessoas. Mas não se pode garantir que vai acabar. É difícil saber para quantos criminosos eles ensinaram — ressalta o delegado.

Confira abaixo o destino dos seis mais temidos em 2004:

 
Cartaz de procurados pela polícia, em 2004, por assaltos a carros-fortes
Foto: Ricardo Chaves/Agência RBS

1 - Jonas Antônio Machado

Natural de São Leopoldo, Jonas Dedão, como é conhecido, tem 42 anos. Entrou na cadeia pela primeira vez em 1993 e foi condenado a penas que somam 35 anos por assaltos em Florianópolis (SC), Triunfo e Novo Hamburgo. Pertencia a quadrilha de Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio. Em janeiro de 2002 escapou da Colônia Penal Agrícola, em Charqueadas, ficando foragido por mais de três anos. Com nome falso, vivia em São Paulo, até se entregar à Polícia Civil gaúcha, em um shopping de Curitiba em abril de 2005. Em novembro de 2009 foi para o semiaberto e em setembro de 2011 ganhou liberdade condicional. Voltou a ser preso em abril desde ano, por conta de uma condenação de cinco anos pela Justiça de Blumenau (SC). Foi solto dias depois, com direito de apelar em liberdade.

2 - Carlos Ivan Fischer

Nascido em Santa Cruz, há 47 anos, era eletricista. Aos 28 anos foi preso pela primeira vez. Às vésperas do Natal de 1996, fugiu do Presídio Regional de Santa Cruz ao subir no telhado da cadeia para ornamentá-la. Considerado um intelectual do crime, escapou quatro vezes de prisões. Em períodos em que esteve foragido, entre 2001 e 2010, foi suspeito de nove roubos entre ataques a bancos e a carros-fortes. Tinha três condenações, que somavam 27 anos e estava em liberdade condicional desde maio. Morreu em 6 de junho em confronto com policiais civis no Vale do Rio Pardo.

3 - José Carlos dos Santos, o Seco

Ex-motorista de retroescavadeiras, era chamado de Zé das Retros por trabalhar abrindo açudes. Após um serviço em Caxias do Sul, conheceu criminosos, em 2001, e começou a "atropelar" carros-fortes para roubar malotes. Dirigia caminhões com o corpo enrolado em colchões para amortecer o impacto das batidas contra os blindados. Em 2003, se tornou o criminoso número 1 do Rio Grande do Sul. Nascido em Candelária, tem 35 anos. Foi condenado 13 vezes por assaltos, com penas que somam 181 anos de prisão até 2185. Preso pela primeira vez em abril de 2006, só poderá sair detrás das grades aos 57 anos, quando terá direito a progredir para o regime semiaberto. Está na Pasc.

4 - Sandro de Lima Silveira

Boneco, como é chamado, nasceu em São Leopoldo há 45 anos. Tem penas que somam 94 anos de prisão que se encerram em 2095, incluindo entre elas uma condenação por roubo em Palhoça (SC). Fugiu três vezes do semiaberto, a última em janeiro de 2003, sendo suspeito de um assalto a carro forte em janeiro de 2004, em Nova Petrópolis, em parceria com Teco e Seco. Foi recapturado por PMs na zona norte de Porto Alegre e recolhido à Pasc em janeiro de 2005 — onde segue até hoje.

5 - Jorge Ivanez Butzke

Ex-soldado da Brigada Militar, natural de Candelária, tem 48 anos. Em 1995, foi condenado a 32 anos de prisão por assaltos em Camaquã, em Lajeado e Nova Petrópolis. Em 2011, ganhou progressão para o regime semiaberto, mas voltou a delinquir. Em abril de 2013, foi preso em flagrante pela Polícia Civil, em Campo Bom, sob suspeita de participar de um quadrilha que assaltava residências no Vale do Sinos. O bando ao qual pertencia se fazia passar por servidores públicos, usando coletes das polícias Civil e Federal e da Receita Federal, farda da BM e de carteiro. Está na Pasc.

6 - Marçal Bozano Marques Fagundes

Nascido há 76 anos em Alegrete, do grupo procurado em 2004 era o criminoso mais velho e mais obscuro. Foi preso pela primeira vez em 1999, em Porto Alegre, por porte ilegal de arma. Em 2003, se envolveu em assaltos a banco em Lajeado e em Frederico Westphalen, sendo condenado a 14 anos de prisão. Foi preso em agosto de 2007 e, no ano seguinte, transferido para São Paulo a pedido da Justiça daquele estado por causa de crimes lá cometidos. Em novembro de 2009, voltou a ser preso em Guarulhos sob suspeita de participação em roubos como comparsa de Alexandre Pires Ferreira, o ET, considerado por autoridaes de São Paulo um dos mais perigosos assaltantes da região Sudeste.

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