Ação que aquece

Jovens espalham cabides nas ruas para doação de agasalhos

Iniciativa surgiu em Porto Alegre e se espalhou por cidades brasileiras

23/07/2014 | 18h13
Jovens espalham cabides nas ruas para doação de agasalhos  Fernanda Coelho/Divulgação
Luana Flôres, 30 anos, Helena Legunes, 22 anos, e Laura Camardelli Brum, 24 anos, são as idealizadoras do projeto Foto: Fernanda Coelho / Divulgação

Um projeto nascido numa tarde fria de Porto Alegre, em 2013, entre uma colherada e outra de caldinho de feijão, vem para aquecer o inverno de quem precisa. E surgiu de uma ideia simples: espalhar cabides pela cidade para que qualquer um pudesse pegar ou doar um agasalho.

No último 21 de junho, quase um ano após o almoço inspirador, as amigas Luana Flôres, 30 anos, Helena Legunes, 22 anos, e Laura Camardelli Brum, 24 anos, espalharam os primeiros cabides em três pontos da capital gaúcha e criaram a página do projeto no Facebook, a "Amor no Cabide". 

— Não passava de um teste, ninguém esperava que desse tão certo — conta Luana, administradora.

E deu. Os exemplos iniciais se multiplicaram por meio de outros voluntários. Dezenas de cabides se espalharam por Porto Alegre, Caxias do Sul, Passo Fundo e outros Estados, como Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Na página no Facebook, onde as fotos do projeto e os "pontos de amor" em todo Brasil estão divulgados, já são quase 7 mil seguidores.

— Tem até lojas que instalaram pontos na calçada e oferecem descontos para clientes que participem do projeto trazendo agasalhos para doação — conta Laura Brum, engenheira de produção.

 
Pontos de doação são chamados pelo grupo de "pontos de amor"
Foto: Carol de Góes


De tanta gente perguntando se era permitido copiar a ideia ("claro que é", respondem elas) e como se fazia para instalar um cabide de doação, o site do projeto já tem uma página com o passo-a-passo. Ela traz recomendações pertinentes: não colocar as roupas em árvores, protegê-las da chuva e, o fundamental, segundo as idealizadoras, conversar com as pessoas.

— É importante que as pessoas não apenas levem roupas, mas que também conversem com quem está na rua, expliquem o projeto e façam com que se sintam a vontade para pegar o que precisarem. Que aproveitem esse momento para se transformar também — argumenta Luana.

Ver a população que precisa se beneficiar dessa ideia solidária já traria uma sensação suficientemente recompensadora. Mas elas garantem que a iniciativa não acaba em si.

— Tem o exemplo de umas gurias de Caxias que não conheciam e, por quererem colocar o Amor no Cabide em prática na cidade, viraram amigas. Essas histórias paralelas vão além do projeto — conta Helena, especialista em Marketing.

— O que mais me empolga com a continuidade desse projeto é o fato de ter saído da zona de privilégio, de deixar o quentinho da casa para conversar, para ouvir as pessoas que geralmente não são ouvidas. Acredito que essas pequenas ações mudam o nosso entorno — diz Luana.

O trio garante que não tem segredo. É descomplicado assim: se você tem (agasalho, amor, sorriso), doe. Se você precisa, é seu.

— Você se dá conta de que quando faz o bem para os outros, acaba fazendo bem para si mesmo — conclui Laura. 

 
Corações enfeitam cabides com a mensagem: "se você precisa, é seu".
Foto: Carol de Góes

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