Falta segurança

No primeiro semestre do ano, 32 pessoas morreram em assaltos a bancos no país

Rio Grande do Sul teve apenas um caso de assassinato entre os meses de janeiro e junho de 2014

31/07/2014 | 19h15
No primeiro semestre do ano, 32 pessoas morreram em assaltos a bancos no país Angela Vargas/Acervo Pessoal
Uma agência bancária foi assaltada nesta quinta-feira em Amaral Ferrador, no sul do Estado e, felizmente, ninguém morreu Foto: Angela Vargas / Acervo Pessoal

Nos seis primeiros meses de 2014, 32 pessoas morreram em assaltos a bancos em todo o país. O número é 6,7% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Em comparação com 2011, o crescimento é ainda maior: 39,1%. O crime que provocou o maior número de homicídios foi a "saidinha de banco", em que uma pessoa é assaltada logo após sacar dinheiro. Foram 20 assassinatos durante este tipo de ação dos criminosos.

O assalto a correspondentes bancários, como casas lotéricas, aparece em segundo lugar na estatística, com quatro mortes. Os clientes representam a maior parte das vítimas: 22 morreram no primeiro semestre deste ano.

O Rio Grande do Sul registrou uma morte em assaltos a bancos de janeiro até junho de 2014. O número é menor do que no primeiro semestre do ano passado, quando três pessoas foram assassinadas durante ações de bandidos em agências bancárias. O Estado com o maior número de mortes nestas ações foi São Paulo, com 12 nos primeiros seis meses do ano. Em segundo, o Rio de Janeiro, com quatro mortes.

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Os mais suscetíveis aos ataques são os idosos. A faixa etária com mais de 60 anos representou 31% dos homicídios em assaltos a agências bancárias no primeiro semestre. O levantamento foi feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e pela Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), com base em notícias veiculadas pela imprensa.

Para as entidades de trabalhadores, essas mortes revelam a escassez de investimentos do setor para melhorar a segurança dos estabelecimentos e garantir um atendimento seguro para os clientes e a população — em média, os seis maiores bancos do país (Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica, Santander e HSBC) gastaram apenas 6% do lucro líquido com despesas com segurança e vigilância.

— Mais do que muito preocupantes, essas mortes comprovam o descaso e a indiferença dos bancos para a prevenção de assaltos e sequestros. Eles continuam enxergando a segurança como custo e não como investimento na proteção da vida de trabalhadores e clientes — afirmou o presidente da Contraf, Carlos Cordeiro.

Sobre o aumento no número de mortes em saidinhas de bancos, Cordeiro disse que as instituições deveriam instalar biombos entre a fila de espera e os caixas, além de divisórias individualizadas entre os guichês, para impedir esse tipo de crime.

— O biombo é uma das medidas testadas e aprovadas no projeto-piloto de segurança bancária, que está terminando este mês no Recife, em Olinda e Jaboatão dos Guararapes (PE). Queremos que seja estendido para todo o país, a fim de ajudar a combater a saidinha de banco e evitar novas mortes — disse.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entidade que representa o setor bancário brasileiro, ainda não se pronunciou sobre o levantamento.

* Zero Hora, com Agência Brasil

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