Confronto

Rebeldes invadem base militar na Líbia

Conflitos seguem desde a metade de julho e já deixaram pelo menos 100 mortos

30/07/2014 | 11h44
Rebeldes invadem base militar na Líbia MAHMUD TURKIA/AFP
Incêndio em depósito de combustíveis aconteceu no sábado e ainda não foi totalmente controlado Foto: MAHMUD TURKIA / AFP
O quartel-general da Unidade de Forças Especiais do Exército Líbio, a principal base militar em Benghazi, foi tomado por grupos rebeldes islamitas no final desta terça-feira, após vários dias de sangrentos combates, informaram oficiais e milicianos. O "Conselho de Shura dos Revolucionários de Benghazi", uma aliança de grupos islamitas e jihadistas, anunciou em um comunicado a captura do quartel-general das Forças Especiais, que foi confirmado por uma fonte militar líbia.

— A base principal das forças especiais caiu nesta terça — anunciou o comunicado, afirmando que a vase estaria nas mãos desses grupos. Entre eles o Ansar Asharia, considerado uma organização terrorista por Washington.

Os combates em Benghazi — principal cidade da região de Cirenaica — se intensificaram há uma semana e já deixaram pelo menos 60 mortos desde o último sábado, segundo fontes médicas locais.

Essa foi a maior perda para o Exército líbio, que tenta, com dificuldades, se reorganizar após a queda do regime de Muanmar Kadhafi, em 2011. O Conselho da Shura dos Revolucionários de Benghazi anunciou no último fim de semana que havia tomado o controle de outras instalações militares do exército, mas este minimizou as supostas perdas. 

Em sua página na Facebook, o grupo jihadista Ansar Asharia publicou fotos de seu arsenal de guerra: dezenas de armas e caixas de munição.

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General dissidente contra rebeldes 

A unidade das Forças Especiais é uma das raras brigadas do Exército regular na Líbia. No entanto, a corporação anunciou seu apoio às operações do general dissidente Khalifa Haftar, mesmo sem se colocar sob seu comando.

Desde o dia 16 de maio, o general Haftar realiza uma operação contra os grupos "terroristas" em Benghazi. Acusado por seus críticos de aplicar um golpe de Estado, ele se beneficia do apoio de várias unidades regulares do Exército, incluindo a Força Aérea.

Na terça-feira, um avião militar líbio que participava dos combates apoiando as forças paramilitares de Haftar caiu em Benghazi. O piloto saltou com seu paraquedas e se salvou, sem ferimentos. Segundo testemunhas, o avião, que estaria atacando posições dos grupos islamitas, explodiu ao tocar assim que pousou.

— Até o momento imaginamos que se tratou de uma falha técnica ou que o avião foi atingido por um projétil — disse o general Sagr al-Kherushi, Chefe das operações das forças aéreas.

Incêndio em depósito de Trípoli

Em Trípoli, um incêndio, que atingiu um grande depósito de combustíveis, ainda não foi totalmente controlado. As chamas foram provocadas por combates entre milícias rivais e ameaça os habitantes da capital, que precisaram deixar suas casas devido ao risco de explosão.

Participação da França

Nesta quarta-feira, a França retirou da Líbia cerca de 50 franceses e britânicos, anunciaram as autoridades francesas. A repatriação dos franceses da Líbia foi pedida no Conselho de Ministros, declarou à imprensa o porta-voz do governo, Stéphane Le Foll, ressaltando também os britânicos.

São cerca de 40 franceses, incluindo o embaixador na Líbia, e sete britânicos foram evacuados na madrugada desta quarta-feira, em um barco da marinha. A chancelaria francesa declarou que "devido à situação de segurança, os locais ocupados por nossa embaixada em Trípoli foram fechados temporariamente" e "as atividades diplomáticas prosseguem a partir de Paris".

O conflito

Desde 13 de julho, dia em que começaram os combates entre facções rivais, o que provocou o fechamento do aeroporto internacional da capital, uma centena de pessoas morreram e 400 ficaram feridas

*AFP

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