Há quase 50 dias em uso, o viaduto da Pinheiro Borda, na Capital, preocupa motoristas que passam no entorno do Estádio Beira-Rio. Bases assimétricas, muretas desalinhadas, ferros aparentes e rachaduras no concreto são alguns dos elementos apresentados em fotos que circulam nas redes sociais.
- O nível de acabamento me deixou angustiado - diz o arquiteto Luiz Alberto Dias Pinheiro, autor de algumas fotos.
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Prefeitura garante que viadutos são seguros
Um dos projetos para a Copa, o viaduto teve a obra iniciada em agosto de 2012 e foi inaugurado pouco antes de o Mundial começar. O arquiteto faz o trajeto diariamente e acompanhou a evolução da obra - para ele, acelerada demais na reta final. Ao divulgar as imagens, tinha a intenção de alertar para a necessidade de perícia técnica.
Vice-presidente da Associação Brasileira de Patologia das Construções, o engenheiro Thomas Garcia Carmona, após ver as fotos, observou que há muitos problemas de acabamento, sem prejuízo à segurança.
- Chama atenção o desalinhamento das bases, mas é preciso verificar se isso é um conceito arquitetônico ou uma falha de execução. Pode haver um reforço interno, não aparente - pondera.
Confira galeria de fotos
O engenheiro José Carlos Keim, diretor da Divisão de Obras e Projetos Especiais da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), não quis comentar individualmente cada aspecto questionado nas imagens que circulam na internet. Preferiu se manifestar por meio de nota:
"Todos os cuidados, as sondagens e os testes recomendados antes e após a obra foram realizados com êxito. (...) Não tivemos nenhum indício de problemas estruturais. Nas fotos enviadas, podemos observar algumas situações de acabamento em que ainda estaremos trabalhando."
O consórcio responsável pela execução da obra - Sultepa, Construtora Cidade e Toniolo, Busnello - tem 90 dias para concluir os acabamentos necessários. Depois, o viaduto será vistoriado pela Smov.
Suporte em pilar estava previsto
Uma estrutura triangular colocada sobre a entrada da estação Rodoviária do trensurb chamou atenção de leitores de ZH. Aparentemente, dá reforço a um dos pilares do viaduto da Júlio de Castilhos, também uma das obras da Copa, recentemente inaugurado.
Segundo o diretor da Divisão de Obras e Projetos Especiais da Smov, a estrutura, chamada de mão francesa, estava prevista no projeto, já que não havia possibilidade de se colocar um pilar dentro da estação do metrô.
O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RS), Alcides Capoani, atesta que, embora pouco comum, a solução é adequada.
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