Perdas da guerra

Anistia critica EUA por mortes de civis no Afeganistão

A instituição defende que o governo americano repare as famílias com justiça e indenização

11/08/2014 | 14h22

As mortes de milhares de civis pelas mãos das forças americanas no Afeganistão não foram reparadas com justiça ou indenização às suas famílias, criticou nesta segunda-feira a Anistia Internacional (AI) em um relatório.

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O documento aponta ter reunido provas "de um sistema de justiça militar americano com muitas falhas que permite uma cultura de impunidade". Milhares de civis morreram ou ficaram feridos em operações da Força Internacional de Assistência à Segurança da Otan (Isaf), presente desde 2001 no Afeganistão.

O presidente afegão, Hamid Karzai, responsabilizou as forças americanas pelas vítimas civis, enquanto a Otan afirma que leva muito a sério estas acusações e que as estuda caso a caso.

Investigadores da AI reúnem provas sobre ataques que mataram civis

Os investigadores da AI entrevistaram 125 afegãos que tinham informações de primeira mão sobre 16 ataques que deixaram vítimas civis, e reuniram dados de outros 97 incidentes ocorridos desde 2007.

– Depois de cada incidente no qual morrem civis pelas mãos das forças americanas, (os Estados Unidos devem) garantir, quando existirem provas admissíveis suficientes, que os suspeitos sejam julgados – afirma o documento intitulado "Abandonados na escuridão".


O relatório detalha, por exemplo, um bombardeio americano de 2012 nas montanhas da província oriental de Laghman, onde mulheres estavam recolhendo lenha. Sete mulheres e meninas morreram e outras sete ficaram feridas.

Ghulam Noor, que perdeu a filha, Bibi Halimi, de 16 anos, no ataque levou os corpos a um centro da Otan depois de ouvir que a coalizão garantia ter matado apenas insurgentes.

– Tivemos que mostrar a eles que mulheres haviam morrido – declarou à Anistia Internacional.

– Não tenho nenhum poder para pedir às forças internacionais quem fez isso. Não posso levá-los à justiça – lamentou Noor.

A Anistia afirma que os aldeões entraram com processos ante o governador provincial, mas que as forças internacionais no Afeganistão não podem ser julgadas pela lei afegã, e que nunca ninguém contatou as famílias para investigar o ataque.

*AFP

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