Polêmica

Casal australiano nega abandono de bebê com síndrome de Down

Em entrevista, pais biológicos admitiram o desejo de ficar com as duas crianças e que foram ameaçados pela mulher contratada

10/08/2014 | 15h44

O casal australiano que vive no centro de um escândalo envolvendo uma mãe de aluguel tailandesa negou neste domingo ter abandonado um dos gêmeos porque o bebê é portador da síndrome de Down. Além disso, em entrevista ao Channel Nine, disseram que lutarão para ter a criança de volta.

Foi a primeira entrevista do casal desde o escândalo surgido com a revelação de que eles abandonaram o bebê na Tailândia com a mãe de aluguel, Pattaramon Chanbua, de 21 anos, e levaram apenas sua irmã gêmea, Pipah, para casa.

David Farnell, de 56 anos, condenado por abuso sexual de crianças e pai biológico do bebê, Gammy, disse que ele e a mulher, Wendy, queriam ter trazido a criança consigo. O casal alegou que Pattaramon queria ficar com a menina, e disse que deixou a Tailândia sem Gammy por medo de perder também sua irmã gêmea.

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Os Farnells, da cidade australiana de Bunbury, contaram anteriormente terem sido informados de que Gammy tinha um problema cardíaco - e não síndrome de Down - e que, segundo os médicos, não sobreviveria.

Gammy, hoje com 7 meses, foi considerado por especialistas livre de problemas cardíacos, informou na sexta-feira uma instituição de caridade australiana que arrecadou mais de US$ 240 mil dólares para a criança. A Hands Across the Water disse que o menino recebeu alta do hospital, onde tratou uma infecção pulmonar, e estava morando em Bangcoc com a família.

Segundo David Farnell, Pattharamon disse que se o casal tentasse levar o menino, ela chamaria a polícia e levaria a menina, ficando com os dois bebês.

Pattaramon contou que aceitou ser mãe de aluguel em troca de US$ 14,9 mil. Uma agência, cujo nome ela não revelou por motivos legais, agiu como intermediária.

A jovem disse que os Farnells pediram que ela fizesse um aborto – ilegal na Tailândia – quando exames médicos confirmaram que o bebê tinha síndrome de Down, mas que recusou a sugestão.

– Porque ele tem uma deficiência, e isso é triste. E seria difícil. Não impossível, mas difícil.

– Estávamos tentando, na Austrália, garantir que Pipah estivesse a salvo, e que ninguém tentaria tirá-la de nós – justificou, explicando que, por ter nascido na Tailândia, ela ainda não era legalmente australiana.

– Quando tivermos certeza de que ela está segura conosco, poderemos tentar ter o menino de volta.

A declaração foi feita no momento em que Canberra pediu à Tailândia um período de transição antes de banir a prática da barriga de aluguel comercial, para proteger acordos anteriores feitos por australianos. O governo tailandês propôs um controle mais rigoroso da prática, após o escândalo envolvendo Gammy.

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