Assédio moral

Empresa de telefonia é condenada a indenizar funcionária que se recusou a mentir

Empregada da Vivo no Iguatemi não aceitou mentir que o sistema estava fora do ar quando clientes queriam comprar planos pré-pagos e foi demitida

01/08/2014 | 16h58

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 4ª Região condenou a operadora de telefonia Vivo a pagar R$ 50 mil de indenização e salários correspondentes a 12 meses a Marjorie Leite Kretschmann, funcionária de uma loja da empresa no Shopping Iguatemi, em Porto Alegre. Conforme a decisão do juiz Marcos Fagundes Salomão, Marjorie se recusou a mentir para clientes, foi assediada e, após tirar uma licença médica, acabou demitida.

Segundo o magistrado, ela não aceitava mentir que o sistema estava fora do ar quando clientes queriam comprar planos pré-pagos de celular e desobedecia a diretiva da Vivo, que tem o foco na venda de planos pós-pagos. Por isso, era motivo de chacota e xingamentos por parte dos colegas e teve problemas psíquicos devido à pressão.

Um cliente, identificado como William Oliveira, encaminhou um e-mail à gerência da loja no Iguatemi e relatou a mudança de postura dos funcionários quando se tratava da mudança de planos.

Leia todas as notícias publicadas por Zero Hora

"A partir do momento que a Marjorie começou a nos atender foi impressionante a reação dos demais atendentes e até mesmo do dito supervisor que, ao invés de defender quem estava fazendo o procedimento correto, se juntou ao coro dos demais que começaram a criticar abertamente a Marjorie, inclusive com ameaças", afirmou William, em declaração anexada ao processo.

Baseada nessa e em mais testemunhas, laudos médicos e outras provas, o TRT definiu que a atitude da empresa caracterizou-se como assédio moral e "não há dúvidas de que a autora, assim como os demais empregados integrantes do quadro funcional daquela loja da Vivo, foram instruídos a dizer para os clientes, caso estes manifestassem interesse na aquisição de um plano pré-pago, que o sistema informatizado estava fora do ar".

Ainda cabe recurso à decisão. A defesa da Vivo sustentou que "a reclamante jamais foi destratada de forma desrespeitosa ou desumana por nenhum preposto da empresa, seja por outro colega de trabalho, seja por superior hierárquico".

VEJA TAMBÉM

     
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.