Leite adulterado

Ministério diz que só pode haver álcool no leite se for intencional

Inspeção do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul descobriu presença de álcool etílico em produtos de duas cooperativas

05/08/2014 | 17h36
Ministério diz que só pode haver álcool no leite se for intencional Photo Rack/Divulgação
A nova fraude atinge uma ponta na cadeia de produção da substância até então tida como imune, a das cooperativas Foto: Photo Rack / Divulgação

A adição de álcool etílico ao leite, descoberta pelo Ministério da Agricultura em inspeção de rotina no Rio Grande do Sul em junho e julho deste ano, só pode ocorrer de forma intencional. Quem garante é o superintendente do órgão no Estado, Francisco Signor. De acordo com ele, não há nenhuma etapa no processo de produção que possa justificar a presença de álcool na substância.

As novas ocorrências atingem uma ponta na cadeia de produção da substância até então tida como imune a fraudes, a das cooperativas. Pelo menos duas delas tiveram a presença de álcool etílico em seus produtos e estariam cometendo a irregularidade – Piá e Santa Clara. Elas terão de prestar esclarecimentos ao Ministério Público.

Entenda como o álcool etílico foi parar no leite
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Em entrevista a Zero Hora nesta terça-feira, Francisco Signor ressalta que a responsabilidade pela entrega do leite sem aditivos é da cooperativa e explica que, com o avanço da tecnologia nas análises laboratoriais, será cada vez mais difícil burlar a legislação. Confira os principais trechos:

Onde foi feita a coleta do leite adulterado?
No tanque do caminhão que estava descarregando o produto em Vila Flores (localidade de Nova Petrópolis, na Serra). As cooperativas podem ter feito as mesmas análises num volume maior. O Ministério da Agricultura vai nas indústrias, plataformas, caminhões e até em produtores. Nesse caso específico (Piá e Santa Clara), coletamos de vários caminhões, e num deles achamos o problema.

As cooperativas têm responsabilidade direta nisso?
É na cooperativa que os milhares de litros de leite são misturados e vão para um tanque maior. Ela também faz suas coletas e análises. Se a cooperativa não tem laboratório moderno, deve procurar os credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A legislação é clara: as indústrias são responsaveis por matéria-prima, processamento e distribuição. Seguindo as normas que existem hoje, não tem erro. A questão é que, para conhecer todo o leite que ingressa em pequena quantidade, o custo é elevadíssimo.

Quanto?
Para um caminhão com três tanques de 3 mil litros cada um, por exemplo, é R$ 2,1 mil para cada tanque. A que preço vai chegar o leite para o consumidor assim? Além disso, é preciso represar o produto até sair o resultado laboratorial, que pode demorar cinco dias. Álcool etílico no leite não é inconsciente. Resquícios de soda podem acontecer sem intenção, mas não álcool.

Após tantas irregularidades, é possível beber leite de forma segura?
Estamos fiscalizando numa intensidade muito grande. Se de fato ocorrer uma pequena fraude, uma ínfima adição de qualquer produto estranho ao leite, não adianta, o laboratório pega. Não tem como burlar isso, e cada dia nos especializamos mais e estamos mais sofisticados. Podemos detectar qualquer coisa errada no leite, não tem perdão para ninguém. Quem quiser arriscar, que arrisque. De qualquer forma, a qualidade do leite é muito boa.

 

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