Conflito internacional

Rússia nega planejar intervenção unilateral na Ucrânia

Em quatro meses, confronto deixou mais de 1,3 mil mortos e 300 mil pessoas deslocadas

09/08/2014 | 19h12
Rússia nega planejar intervenção unilateral na Ucrânia ANATOLII STEPANOV/AFP
Combate com separatistas pró-russos deixou 13 soldados mortos nas últimas 24 horas, segundo militares ucranianos Foto: ANATOLII STEPANOV / AFP

A Rússia desmentiu neste sábado ter tentado enviar tropas ao território ucraniano e afirmou que não planeja qualquer tipo de ação unilateral na Ucrânia, nem mesmo por motivos humanitários.

— A nós custa entender a que se refere a Ucrânia. As forças russas não tentaram em qualquer momento penetrar em território ucraniano — declarou o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov.

A Ucrânia insiste que pode haver uma intervenção russa sob o pretexto de uma operação humanitária no leste de seu território, onde os combates com os rebeldes pró-russos deixaram mais 13 soldados ucranianos mortos.

Leia todas as notícias de Zero Hora

O presidente americano Barack Obama e o primeiro-ministro britânico David Cameron, em uma conversa por telefone neste sábado, concordaram que que qualquer pretensa missão humanitária na Ucrânia poderá ser considerada ilegal.

"Os dois dirigentes exprimiram sua grande preocupação a respeito de informações indicando que veículos militares russos passaram pela fronteira e entraram na Ucrânia e que as forças armadas russas realizam exercícios para uma 'intervenção humanitária", segundo afirma um comunicado do gabinete de Cameron.

Os Estados Unidos já haviam advertido que qualquer ajuda de emergência deve ser distribuída por organizações humanitárias e que considerará "uma invasão" qualquer tipo de intervenção unilateral da Rússia na Ucrânia.

Os combates se intensificaram nos últimos dias. Donetsk, que tinha um milhão de habitantes antes do conflito, amanheceu neste sábado ao som de explosões e disparos. A prefeitura indicou que um morteiro caiu em um prédio da cidade, matando um civil.

O novo "primeiro-ministro" da autoproclamada República de Donetsk, Alexander Zajarchenko, reconheceu que a cidade de um milhão de habiatantes estava cercada pelas forças ucranianas.

A situação é cada vez mais complicada para os civis, depois de quatro meses de um conflito que deixou mais de 1,3 mil mortos e 300 mil pessoas deslocadas, refugiadas na Rússia ou em outras zonas da Ucrânia.

Sanções contra sanções

Enquanto o Exército ucraniano procura libertar as cidades controladas pelos insurgentes pró-russos, Kiev anunciou na sexta-feira novas sanções contra a Rússia. Os russos optaram na quinta-feira por responder às sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia após o incidente com o avião da Malaysia Airlines.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, anunciou sanções de seu país contra 172 pessoas e 65 empresas, principalmente russas, acusando-as de terem apoiado a anexação da Crimeia ou de terem financiado a rebelião pró-russa no leste da Ucrânia.

Yatseniuk não revelou a lista das pessoas e empresas punidas. Ela deverá ser aprovada pelo Conselho de Segurança e Defesa e adotada pelo Parlamento na terça-feira. Entre as possíveis sanções, estão a proibição de entrar no país e o congelamento de ativos.

Leia também:
Tensão na Ucrânia beneficia o Brasil na Rússia
Embargo russo aos EUA e Europa favorece vendas no Brasil

O presidente também mencionou a possibilidade de proibição da entrada de recursos naturais, no momento em que cerca da metade do gás consumido na União Europeia passa por território russo.

Além disso, a Austrália anunciou nesta sexta o reforço em breve de suas sanções contra Moscou.

— Sejamos claros, a Rússia é o perseguidor (...) um grande país que tenta perseguir um pequeno país — disse o premiê australiano, Tony Abbott.

Na quinta-feira, a Rússia havia proibido durante um ano a importação de produtos agroalimentares europeus e americanos em resposta às sanções decretadas por Estados Unidos e UE contra Moscou, a quem consideram responsável pela crise na Ucrânia.

Negócios à parte

Apesar do recente ciclo de sanções recíprocas motivadas pela situação na Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin pediu neste sábado uma maior cooperação econômica com o Ocidente em nome do 'bom senso', ao lançar um projeto de exploração petroleira russo-americano no Ártico.

A americana ExxonMobil e a estatal russa Rosneft iniciaram a exploração de uma área no Mar de Kara, norte da Sibéria, prevista para durar até o final de outubro.

— Nós parabenizamos este projeto e estamos dispostos a estender nossa cooperação com nossos sócios — declarou Putin, que falou por videoconferência em Sotchi (sul da Rússia).

— As empresas, incluindo as principais firmas russas e estrangeiras, compreendem muito bem a necessidade desta cooperação. O pragmatismo e o sentido comum prevalecem, apesar das dificuldades do contexto político atual, e isso é muito satisfatório — acrescentou.

O projeto de exploração russo-americano no Ártico não foi afetado, segundo as autoridades russas, pelas recentes sanções ocidentais que proíbem, entre outras coisas, a exportação de armas e de alguns materiais como equipamento petroleiro para a Rússia.

*AFP

VEJA TAMBÉM

     
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.