Investigação

Senado abre sindicância para apurar denúncia de fraude na CPI da Petrobras

Segundo denúncias, diretores da estatal teriam tido acesso às perguntas antes de responder aos questionamentos da CPI

05/08/2014 | 18h09
Senado abre sindicância para apurar denúncia de fraude na CPI da Petrobras Pedro França/Agência Senado/Divulgação
Presidente do Senado, Renan Calheiros, abriu sindicância para investigar CPI da Petrobras Foto: Pedro França / Agência Senado/Divulgação

Uma comissão de sindicância foi aberta pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, nesta terça-feira, para investigar a participação de servidores da Casa em uma possível fraude na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Denúncias publicadas pela revista Veja apontam que a presidenta da Petrobras, Graça Foster, o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli e o ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró tiveram acesso antecipado às perguntas e foram treinados para responder aos questionamentos da comissão.

Calheiros tomou a providência após um pedido do presidente da comissão parlamentar de inquérito, Vital do Rêgo (PMDB-PB). Apesar da investigação, o presidente da Casa defendeu a continuidade dos trabalhos. De acordo com ele, não há necessidade de suspensão das atividades.

— Não precisa suspender nada, absolutamente. A CPI é uma instituição que não pode sair arranhada. É um instrumento fundamental de fiscalização e de cumprimento do papel do Legislativo. É preciso esclarecer tudo na forma que foi denunciado — declarou o presidente do Senado.

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O presidente da CPI da Petrobras, Vital do Rêgo também afastou qualquer possibilidade de interrupção dos serviços por causa das denúncias. Segundo ele, estão previstos mais 45 dias de funcionamento e, se não houver pedido de prorrogação, o relatório final pode ser votado antes das eleições.

Além disso, o senador paraibano reuniu-se com o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, para pedir que o órgão apure denúncias publicadas na última edição da revista Veja. 

No primeiro dia do esforço concentrado do Congresso, o assunto estava entre os mais comentados por parlamentares do governo e da oposição. A senadora Vanessa Graziotion (PCdoB-AM), cobrou apuração das denúncias:

— Eu reprovo porque isso não é comum, é completamente desnecessário, porque todas as perguntas feitas pelo relator são perguntas óbvias que qualquer senador faria, e os depoentes já deveriam estar preparados para aquele tipo de pergunta. Se isso tiver ocorrido, e eu não sei se ocorreu, não é algo aceitável e é completamente desnecessário.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), por sua vez, sugeriu a descontinuidade dos trabalhos da CPI da Petrobras.

— A providência radical que o Congresso, especialmente o Senado, deveria exigir é a extinção da CPI do Senado. Ela está agora definitivamente contaminada — externou o parlamentar de oposição.

* Zero Hora, com agências

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