Discurso gravado

Vereador de Rio Grande vai processar ativista que o chamou de racista

Em artigo, coordenador de movimento negro condenou declaração de parlamentar durante sessão na Câmara sobre cotas raciais

06/08/2014 | 17h17

O vereador do PMDB de Rio Grande Wilson Batista Duarte Silva, conhecido como Kanelão, foi chamado de racista por declarações feitas durante um debate sobre cotas raciais para cargos públicos na cidade.

A acusação partiu do coordenador do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe — Rio Grande/RS, Jailton de Freitas Neves, em um artigo publicado no jornal Agora no dia 30 de julho, que acabou se espalhando na internet.

Segundo o texto, Kanelão disse, em debate sobre cotas no plenário da Câmara, que "os negros querem se favorecer, isso que é racismo, afinal os negros já estão quase brancos, estão saindo com loira, polaca, estão comendo em restaurantes...". No vídeo a que ZH teve acesso, o parlamentar questiona o projeto de maneira diferente:

— Hoje, os negros já estão quase todos brancos. É uma mistura: é um negro querendo uma branca, um branco querendo uma negra. Ou com certeza é diferente e tu não vê um neguinho lá com uma branca, com uma polaca?

Veja abaixo o discurso do vereador na Câmara:

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A sessão ocorreu no dia 14 de julho e foi gravada pela TV da Câmara de Rio Grande. Indignado com o conteúdo do artigo, Kanelão chamou a acusação de inverdade:

— Estou indo à polícia fazer um registro sobre a declaração de Neves dizendo que eu teria dito que "os negros estão até em restaurante". Vou responsabilizá-lo judicialmente e processá-lo por calúnia e injúria.

O vereador disse ter sofrido ameaças:

— Tem gente me chamando de racista no Facebook. Recebi muitas mensagens pesadas, até ameaças à minha família e ofensas pessoais. Quem me mandou essas mensagens também será processado.

A aprovação do projeto de lei que estabelece uma reserva de 20% das vagas em concursos público em Rio Grande para negros transcorreu com acusações de racismo para o vereador do PMDB. Embora tenha votado a favor da medida — aprovada por unanimidade —, o político disse defender as cota sociais, que prevê a reserva de vagas para quem ganha abaixo de três salários mínimos.

ZH entrou em contato por telefone nesta quarta-feira com o autor do artigo. Neves não quis comentar o caso.

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