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Operação Lava-Jato

Empresas gaúchas temem calote da Iesa em contratos do polo do Jacuí

Fornecedores da unidade de Charqueadas têm baixa expectativa de que um sócio cubra dívidas

Caio Cigana

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Apesar da promessa, Iesa não quitou pendências antes de recuperação judicial

A prisão de integrantes da cúpula da Iesa na Operação Lava-Jato, somada à crise financeira que levou a controladora da empresa, a Inepar, à recuperação judicial, acentuou o medo de calote em empresas gaúchas fornecedoras da unidade de Charqueadas. Para os credores, o mais provável é que o estaleiro do polo do Jacuí soçobre diante da baixa perspectiva de um parceiro assumir o contrato para fornecimento de módulos de plataformas para a Petrobras e, com isso, fiquem a ver navios.

Decepcionado ao ver se transformar em dor de cabeça o que parecia boa oportunidade, o empresário Ronaldo Abegg, proprietário da R&R Estruturas Metálicas, de Alvorada, diz ter R$ 1 milhão a receber. A indústria construiu parte dos pavilhões e forneceu peças.

- Estamos com muitas dificuldades. Temos impostos atrasados e nosso capital de giro se foi. Nos endividamos por causa deles - reclama Abegg, que ainda espera regularizações de pagamento, algumas prometidas desde fevereiro (veja reprodução de troca de e-mails).

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No centro de Charqueadas, o restaurante Rangos & Tragos chegou servir mais de 500 refeições por dia para funcionários da Iesa e outras empresas contratadas. Para dar conta do movimento, ainda investiu R$ 25 mil. Hoje, no entanto, são quase 8 mil almoços pendurados, uma conta de R$ 95 mil.

- Estamos assustados. Não tenho esperança de isso ser resolvido - relata o dono do restaurante, Oscar Paulo da Silva Junior.

Do ramo de refrigeração, a São Carlos, de Esteio, espera a quitação de uma fatura de R$ 200 mil da instalação de aparelhos de ar condicionado. Para tentar receber, a empresa se habilitou como credora da recuperação judicial da Inepar. O grupo deve R$ 3 bilhões a 1,3 mil pessoas e empresas.

- Para nós, o polo de Charqueadas não existe mais - lamenta o diretor comercial da São Carlos, Sérgio Helfensteller.

A mesma saída será tentada pela Capaz Inspeções, de Canoas. Segundo o diretor Dione de Oliveira, a empresa tem R$ 1 milhão a receber da Iesa Óleo e Gás - além de outros R$ 200 mil de serviços prestados para a mesma empresa, subcontratada paras construção da termelétrica de Candiota 3. Perspectiva melhor tem o Badesul, que financiou R$ 43,7 milhões para a Iesa construir seu estaleiro, mas está na relação de credores com garantias reais para receber. No caso, a própria unidade em Charqueadas, explica o presidente da agência de fomento, Marcelo Lopes.

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