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Gabriela tem 13 anos e fez a crisma no mês passado. Na missa da manhã deste domingo, na Catedral de Havana, a jovem ofertou ao cardeal cubano Jaime Ortega o pão, que seria transformado, segundo a tradição católica, no corpo de Cristo. Cinquenta anos atrás, o gesto simples, repetido em milhares de igrejas do mundo inteiro, seria feito às escondidas.
O regime de Fidel Castro expulsou o clero estrangeiro, proibiu festas religiosas e fechou escolas católicas. O próprio cardeal arcebispo dom Jaime Ortega, que mais tarde teria papel central na liberação de 115 presos políticos, fora forçado a cortar cana por meses nos anos 1960. Com o acordo EUA-Cuba, Gabriela, que pensa em cursar medicina, pretende não apenas visitar o pai nos EUA. Quer ir ao Cananá e à Argentina, onde tem amigos. Não será tão rápido, repreende a mãe, Lilian.
- Queremos o levantamento do embargo. Mas sabemos que vai demorar - diz Lilian.
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A irmã Victoria, 73 anos, viveu parte do período em que exercer a fé era proibido em Cuba:
- Antes, tinha medo. Depois que João Paulo II veio aqui, muita coisa mudou. Hoje, pode-se exercer qualquer religião.
A visita do Papa polonês em 1998 é um divisor para o mundo católico e para as relações entre o Vaticano e a ilha. Em 2012, Bento XVI visitou a ilha. Os feriados de Natal e Páscoa foram reincorporados ao calendário. Mas foi Francisco quem mediou a reaproximação. Pároco da catedral, o padre Giovani Carbajal prefere a discrição para "evitar triunfalismos":
- A Igreja manteve um papel independente. Isso permitiu que levássemos as negociações até agora. Estamos tratando com mentes muito obsoletas.