Problema social

Um dia depois da remoção, casebres voltam a ocupar a beira do Arroio Dilúvio

Prefeitura da Capital havia realizado operação na quarta-feira porque o local oferece "risco de queda, afogamento e atropelamento"

11/12/2014 - 14h04min | Atualizada em 11/12/2014 - 18h50min
Um dia depois da remoção, casebres voltam a ocupar a beira do Arroio Dilúvio André Mags/Agencia RBS
Foto: André Mags / Agencia RBS  

Um dia depois de a prefeitura de Porto Alegre ter retirado as cabanas improvisadas à beira do Arroio Dilúvio, moradores de rua voltaram a montá-las nos mesmos locais. No início da tarde desta quinta-feira, pelo menos três casebres feitos de restos de madeira e plástico se espalhavam entre o Planetário e a esquina com a Avenida Azenha.

A primeira cabana depois do Planetário em direção à Azenha reunia pelo menos três pessoas, apertadas no restrito espaço entre o leito do arroio e o início do aclive dos taludes. Um dos ocupantes do casebre, um homem que trajava um blusão vermelho surrado, disse que os funcionários da prefeitura foram ríspidos na abordagem, na quarta-feira.

— Eles chegaram jogando água. Tinha até mulher dormindo naquela hora — reclamou.

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Em seguida, uma mulher apareceu no local visivelmente perturbada, falando frases desconexas. O homem confirmou que o grupo fica ali para usar drogas e beber. É o único lugar onde têm mais "liberdade para isso", afirmou.

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Na ação de quarta-feira, a prefeitura retirou pertences dos habitantes das barracas, levando-os para uma unidade do Departamento Municipal de Limpeza Urbana na Estrada Afonso Lourenço Mariante, 4.401, no bairro Lomba do Pinheiro, onde deverão permanecer por um mês, no aguardo da retirada por seus proprietários. O homem do blusão vermelho disse que não sabia para onde tinham levado seus pertences. A operação da prefeitura foi motivada pelo "risco de queda, afogamento e atropelamento" no local.


Foto: André Mags

Presidente da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), Marcelo Soares afirmou que as operações no local continuarão. Ele ressaltou que a Fasc não participou da retirada dos moradores de rua na quarta-feira, por isso não sabe se houve maus-tratos aos ocupantes dos casebres.

— Aquela é uma área de risco. A gente não vai esmorecer, as ações vão acontecer ali com frequência — reforçou.


Foto: André Mags



 
Remoção dos casebres foi realizada na quarta-feira
Foto: PMPA, divulgação

 
 
 
 
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