
A própria repórter entrou na onda e pediu emprestado, no site temacucar.com, uma chave de fenda (não era apenas um teste, precisava mesmo montar uma estante). Em poucas horas, quatro vizinhos se disponibilizaram a ajudar, entre eles o especialista em Tecnologia da Informação, Marcelo Dewitte, 49 anos.
- Tem gente que não gosta de emprestar nem para conhecidos. O que eu mais gostei nesta plataforma é o fato de ela reacender as relações entre vizinhos e, principalmente, a questão da confiança entre as pessoas - relata Dewitte.
Aline, por exemplo, já conheceu até o filho de Ferretti, um bebê de seis meses.
Para a professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS Gabriela Zago, o Tem Açúcar?, embora um ambiente online, repercute na vida offline. Se no fim da década de 90 as salas de bate-papo eram seccionadas por cidade, sites como Twitter e Facebook acabaram proporcionando conexões motivadas não tanto pela proximidade, mas por interesses comuns. A plataforma idealizada por Camila vira, então, um híbrido entre geografia e conveniência.
- Talvez a pessoa não vá atravessar o corredor e falar com um vizinho. Mas se encontrar alguém que tem o que ela precisa, pode ser o começo de uma relação. É algo que ajuda a interconectar pessoas que não se conhecem - aponta a especialista em cibercultura.
Ainda não é possível cadastrar-se em mais de um bairro. Mas isso deve mudar em dois meses.
- Vamos implementar a busca por raio de aproximação. O usuário vai definir se quer procurar o que precisa a cinco, 10 ou 50 quilômetros da sua casa. Tipo como funciona no Tinder - adianta Camila.
Confira quais bairros da cidade já têm moradores cadastrados no projeto:
