Protesto em análise

Institutos de pesquisa fazem levantamentos sobre o perfil dos manifestantes em Porto Alegre

Amostra e Índex realizaram entrevistas com participantes da caminhada que reuniu milhares de pessoas nas ruas da Capital neste domingo

Por: Carlos Ismael Moreira
16/03/2015 - 01h58min
Institutos de pesquisa fazem levantamentos sobre o perfil dos manifestantes em Porto Alegre Ricardo Duarte/Agencia RBS
Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS

A parcela porto-alegrense das manifestações que tomaram conta do país neste domingo passou pelo crivo de duas organizações de pesquisa. Os institutos Índex e Amostra acompanharam a caminhada  na Capital, que reuniu cerca de 100 mil pessoas pelas ruas, para identificar o perfil dos participantes do protesto.

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ÍNDEX

O Instituto Índex realizou entrevistas com 766 pessoas que participaram da manifestação. A margem de erro é de 3,6 pontos percentuais para mais ou para menos, com uma margem de confiança de 95%.

Entre os entrevistados, a divisão por gênero ficou praticamente parelha, com 51,2% de homens (392) e 48,8% de mulheres (374). A maior parte dos manifestantes que responderam à pesquisa tem entre 25 e 44 anos (42,3%) e concluiu o Ensino Superior (68,4%).
 
Chama a atenção o perfil de renda dos participantes. Segundo o levantamento Índex:

—  5% recebem entre um e dois salários mínimos
— 22,7% recebem entre três e cinco salários mínimos
— 31,9% recebem entre seis e dez salários mínimos
— 40,5% recebem mais de dez salários mínimos



Na divisão por raça, os brancos respondem por 87,2% dos entrevistados, com apenas 9,9% de negros e 2,9% de pardos. Conforme a pesquisa do Índex, o emprego não está entre as principais preocupações dos entrevistados no protesto realizado na Capital — 73,6% responderam que nenhum integrante de seus domicílios está desempregado.

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A corrupção representou por larga margem o principal problema do país de acordo com a pesquisa, com 60,1% das citações, enquanto a administração pública foi a segunda opção mais lembrada, com 8,6% das menções. Além disso, 78,1% dos entrevistados opinou que a corrupção aumentou muito nos últimos quatro anos, durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, e 86,4% consideram o combate à corrupção no Brasil como "não eficiente" e "nada eficiente".

Em escalas de um a cinco para o nível de corrupção, a maioria dos entrevistados apontou o grau máximo tanto para os partidos políticos (76%), quanto para Congresso (73,4%) e para a Presidência da República (71,3%). Em relação ao impeachment de Dilma, 66,3% se disseram favoráveis e 29,8%, contrários.

Os resultados do levantamento do Instituto Índex apontaram que 71% dos entrevistados dizem não ter preferência ou simpatia por nenhum partido político. Por outro lado, 76% responderam ter dado voto ao senador Aécio Neves nas últimas eleições presidenciais.



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INSTITUTO AMOSTRA

O Instituto Amostra também conversou com os manifestantes — foram 400 entrevistas junto à concentração do protesto no Parcão. A margem de erro é de cinco pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Assim como a pesquisa Índex, o número de homens (53,3%) e mulheres (46,8%) que responderam ao levantamento da Amostra foi parecido. Os participantes com idade entre 25 e 44 anos responderam por 42,8%.

A maioria tem Ensino Superior completo (76,3%) e ganha entre cinco e 20 salários mínimos (51,3%). Outros 13,8% disseram receber mais de 20 salários, enquanto apenas 6,3% afirmaram obter até duas vezes o valor básico do emprego formal no país. Por outro lado, 93% discordaram da hipótese de o movimento ser de elite e que os pobres continuam a favor do governo.
 
Entre os motivos que levaram os entrevistados a participar do protestos, com possiblidade de optar por mais de uma resposta, o combate à corrupção (43,8%) e o descontentamento com o governo (21%) lideraram.


O levantamento Amostra mostrou ainda o protagonismo das redes sociais na organização do movimento, com 66,5% dos participantes dizendo terem ficado sabendo da manifestação pelo Facebook e outros 24,8%, por meio de sites na internet.
 
Sem resposta múltipla, 78,8% dos participantes da pesquisa disseram acreditar que o movimento não pode ter a participação de partidos e políticos, contra 20% que admitem essa possibilidade.

Com opção de resposta múltipla, embora a decepção com a presidente Dilma Rousseff (28,5%) e com o PT (44%) some a maioria, 56,8% afirmaram estar decepcionados com a classe política como um todo. O levantamento Amostra mostrou ainda o desconhecimento dos manifestantes em relação ao processo de impeachment, com 59% indicando a possibilidade uma nova eleição no caso de a presidente Dilma ser impedida — a constituição prevê que assuma em seu lugar o vice, Michel Temer (PMDB).

 
 
 
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