Obituário

Morre Lauro Hagemann, o Repórter Esso gaúcho

Aos 84 anos, radialista morreu de causas naturais em Porto Alegre

12/05/2015 - 00h40min | Atualizada em 12/05/2015 - 02h56min
Morre Lauro Hagemann, o Repórter Esso gaúcho Leo Contursi/Divulgação
Em 2012, Lauro recriou, 58 anos depois do fato, a divulgação da notícia da morte de Getúlio Vargas no microfone dos estúdio da Rádio Câmara, em Porto Alegre Foto: Leo Contursi / Divulgação  
Morreu nesta segunda-feira, em Porto Alegre, Lauro Hagemann, aos 84 anos, o Repórter Esso gaúcho. O falecimento foi confirmado pelo filho do radialista, Lauro. As informações são da Rádio Gaúcha

— Uma pessoa extraordinária. Colaborou por um período importante da história do rádio, sendo o primeiro locutor do país a fortalecer a rede da legalidade. Transmitia as mensagens de resistência. Era um jornalista fora do sério — lamentou o jornalista Alexandre Costa, 47 anos, amigo de Lauro e de seu filho.

Hagemann estava internado há 15 dias no Hospital Mãe de Deus e morreu de causas naturais. Nascido em Santa Cruz do Sul, em 23 de julho de 1930, entrou no rádio, como ele mesmo dizia, por acaso.

Quando ainda era estudante, tinha amigos que trabalhavam no serviço de alto-falante da cidade. Certo dia, choveu, e um dos locutores faltou. Hagemann foi chamado para assumir o microfone.

Era o início da carreira de radialista. Em 1946, foi contratado pela Rádio Santa Cruz. Hagemann foi morar na Capital em fevereiro de 1950. Pretendia cursar a faculdade de Direito. Instalado em Porto Alegre, recebeu um convite da direção da Rádio Progresso, de Novo Hamburgo, onde atuou por três meses.

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Sem grandes expectativas, participou do concurso, promovido pela Rádio Farroupilha, que escolheria o novo locutor do consagrado Repórter Esso. Aprovado, leu o noticiário pela primeira vez em primeiro de junho de 1950.

Hagemann apresentou o Repórter Esso gaúcho por 14 anos, entre 1950 e 1964. O presidente Jânio Quadros renunciou em 25 agosto de 1961. Temendo que segmentos do Exército e da oposição impedissem o vice-presidente João Goulart de tomar posse, o então governador do RS Leonel Brizola iniciou a Campanha da Legalidade, que defendia o respeito à Constituição. Dos porões do Palácio Piratini, Hagemann foi uma das vozes que, por meio do rádio, fez com que os gaúchos apoiassem o movimento.

Em 1962, Hagemann participou da fundação do Sindicato dos Radialistas. Ingressou no Partido Comunista Brasileiro. Em maio de 1964, tomou posse como vereador em Porto Alegre. Foi eleito, em 1966, deputado estadual pelo MDB.

Em 1969, foi cassado pela ditadura militar. Retomou a atividade política na década de 1980. O corpo será velado a partir das 9h na Assembleia Legislativa. A cerimônia de cremação no Crematório Metropolitano São José de Porto Alegre está marcado para as 19h desta terça.
 
 
 
 
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