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Nível do Guaíba atinge maior marca em 74 anos

Na medição das 18h57min, nível atingiu 2m89cm, a 11 centímetros de alagar o Cais Mauá

12/10/2015 - 10h23min | Atualizada em 12/10/2015 - 23h46min
Nível do Guaíba atinge maior marca em 74 anos Júlio Cordeiro/Agência RBS
Caso nível do Guaíba chegue a três metros, Cais Mauá pode ser alagado Foto: Júlio Cordeiro / Agência RBS  

O nível do Guaíba voltou a subir nesta segunda-feira e atingiu, às 18h57min, a marca histórica de 2m89cm, o maior nível em 74 anos, segundo o Centro Integrado de Comando (Ceic) de Porto Alegre. Às 20h30min, recuou para 2m87cm.

Acompanhe o nível do Guaíba no site do Ceic

Autoridades seguem monitorando as águas e alertam que, caso o nível do Guaíba chegue a três metros, o Cais Mauá pode ser alagado. Ao anoitecer, as águas já avançavam para dentro do porto, em direção aos armazéns ribeirinhos.

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Como medida de segurança, as 14 comportas do Muro da Mauá, concluídas na década de 1970 para impedir o avanço das águas cidade adentro, foram fechadas. A 14ª delas, no acesso principal do Cais Mauá, foi fechada no fim da tarde (as outras tinham sido encerradas no domingo). Com isso, o acesso à Avenida da Legalidade para quem segue pela Sertório ficará bloqueado.



O vento Sul ajudou a represar as águas do Guaíba, tornando ainda mais intensa a cheia. A única enchente maior do que esta na Capital foi a de 1941, ano em que o volume chegou a 4m76cm e todo o centro da cidade ficou submerso. O prefeito José Fortunati, que supervisionou o fechamento da última comporta do cais, diz que só tomou a providência para que a população dormisse tranquila:

— O muro foi construído para segurar a água. Não dá para acreditar em tudo que as redes sociais dizem, nos que dizem que o Muro da Mauá não serve para nada — rebateu.

Porém, um Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) feito para o projeto Cais Mauá neste ano concluiu que "há má conservação das estruturas" no sistema contra cheias em Porto Alegre. Entre os problemas encontrados nas comportas do muro, estão falhas nos sistemas de vedação, rodas oxidadas e sem lubrificação, trilhos não permitem o movimento de translação da comporta, não instalação do motor de translação, ausência de instalação elétrica para alimentação do acionamento da comporta, falta de componentes do sistema de manutenção e frestas visíveis entre o muro e a comporta, comprometendo a capacidade de vedação. A previsão é que tudo isso seja consertado quando o projeto Cais Mauá se tornar realidade.



O projeto — que prevê a transformação dos antigos armazéns em locais para lazer e gastronomia, além da construção de três edifícios comerciais e um hotel à beira do Guaíba — estaria hoje sob ameaça das águas. Outro projeto que, se estivesse pronto teria ficado embaixo da água, é o Orla do Guaíba, que prevê melhorias nos passeios públicos entre o Gasômetro e a Rótula das Cuias, na área central da cidade.

A cheia do Guaíba também cancelou a circulação dos catamarãs. Em Eldorado do Sul, a situação também é preocupante. Um terço da área urbana do município está debaixo d'água. Cerca de 18 mil pessoas, metade da população, teve as casas alagadas. Pelo menos 200 pessoas estão abrigadas no Ginásio do Loteamento e mais de 2 mil saíram de suas residências.

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A situação no Estado

Mais de 44,2 mil pessoas contabilizaram prejuízos no Rio Grande do Sul até o início da noite desta segunda-feira em função dos temporais dos últimos dias. A lista de atingidos, segundo a Defesa Civil do Estado, inclui pelo menos 56 cidades, com 5.111 residências afetadas.

Ao todo, devido à cheia de rios e córregos, mais de 7,9 mil gaúchos foram obrigados a deixar suas casas no fim de semana — 4.049 estão em abrigos e 3.861 ficaram desalojados e recorreram a amigos e parentes.

No sábado, o governador José Ivo Sartori visitou Santa Maria e conversou pessoalmente com o prefeito Cezar Schirmer sobre os problemas. Também falou com representantes de cidades vizinhas e externou preocupação.

— A situação é delicada, e vim aqui trazer a minha solidariedade. Peço que os municípios façam seus levantamentos e nos informem da real situação. É claro que daremos atenção à região, mas, agora, o momento é de se fazer levantamento, até porque tudo isso é muito rigoroso, é difícil — disse.

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