Porto Alegre

Contagem dos estragos

Vice-prefeito espera "sensibilidade" da União para homologar emergência na Capital

Sebastião Melo disse que índices do governo federal para reconhecimento do decreto só favorece municípios pequenos

Fernanda da Costa

Enviar email
Félix Zucco / Agencia RBS
Alagamento na Região das Ilhas deixou centenas de desabrigados

Embora a prefeitura de Porto Alegre tenha até 10 dias para incluir no decreto de emergência os valores dos prejuízos causados pela chuvarada, a contabilidade deverá ser finalizada até o final da tarde de quarta-feira.

Em reunião com representantes da Defesa Civil e secretários, o vice-prefeito Sebastião Melo pediu que todas as pastas entreguem o relatório de prejuízos em dois dias. O motivo é uma viagem do prefeito José Fortunati a Brasília na quinta-feira, para pleitear  ajuda financeira.

Entenda as consequências do decreto de emergência na Capital

O decreto deve ser publicado nesta terça-feira no Diário Oficial do município, e precisa ser homologado pelos governos do Estado e federal para garantir o repasse dos recursos. Para a homologação, é preciso que os danos públicos (em escolas, hospitais e rodovias) somem pelo menos 2,77% da receita corrente líquida do município ou os privados (em casas, empresas e agricultura) atinjam no mínimo 8,33% dessa receita. Por isso, a prefeitura tem colocado tudo na conta dos prejuízos, desde horas extras de servidores à limpeza dos arroios.

No domingo, após anunciar o decreto, Fortunati afirmou que o levantamento dos estragos estava "muito próximo" de atingir os indicadores. Mesmo assim, Melo preferiu não citar quais valores já foram apurados depois da reunião desta segunda-feira. O encontro a portas fechadas, em seu gabinete, durou cerca de uma hora.

- Alguns secretários já encaminharam seus relatórios, e estamos pedindo complementos - resumiu.

José Fortunati: "Situação fugiu de qualquer controle"

Mesmo que não alcance os indicadores federais, a prefeitura conta com a "sensibilidade" da União para o reconhecimento do decreto. Melo critica que os indicadores federais só atendem municípios pequenos, cujos prejuízos dos desastres chegam facilmente aos percentuais mínimos da receita. Para as grandes cidades, onde a receita é maior, fica mais difícil atingir os índices.

- Tem de haver uma sensibilidade política, porque as nossas ilhas estão com enormes dificuldades. Se o governo federal entender pela emergência com 2,45% (da receita corrente líquida em prejuízos) e não 2,77%, pode aprovar - defende.

Se reconhecido, o decreto garante que os moradores atingidos pela chuva saquem o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e antecipem os repasses do Bolsa Família. Já para o Executivo, a aprovação garante o repasse de verbas para a reconstrução dos espaços públicos, mudança no orçamento e contratações emergenciais sem licitação.

Leia as últimas notícias sobre a chuvarada

Os estragos causados pela cheia do Guaíba e pelo temporal da última quarta-feira prejudicaram pelo menos 12 mil pessoas, deixando 1,5 mil desalojadas e 600 desabrigados - 230 apenas no Ginásio Tesourinha.

Além disso, dezenas de estradas, 10 escolas e quatro unidades básicas de saúde foram danificadas.

- As vias do extremo sul estão intransitáveis, com muitos buracos. Todas terão de ser "patroladas" - concluiu o vice-prefeito.

Leia as últimas notícias

GZH faz parte do The Trust Project
Saiba Mais
RBS BRAND STUDIO

Gaúcha Atualidade

08:10 - 10:00