
José Carlos Bumlai, que já foi um dos maiores pecuaristas brasileiros, iria depor nesta terça-feira na CPI do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A ordem de prisão do juiz Sérgio Moro contra o pecuarista ressalta que o banco teria realizado financiamentos irregulares ao empresário. O BNDES teria driblado norma que veta empréstimos a empresas cuja falência tenha sido requerida na Justiça e concedeu crédito de R$ 101,5 milhões ao pecuarista.
Em 2011 uma das empresas de Bumlai, São Fernando Energia, teria dívidas 9,5 vezes maiores do que o patrimônio líquido. Ou seja, estava praticamente falida. De alguma forma - que a Polícia Federal e o juiz Moro querem saber - Bumlai obteve os R$ 101,5 milhões com autorização do BNDES, repassados pelo Banco do Brasil e pelo BTG, que assumiram os riscos da operação.
Na época, segundo o delator da Lava-Jato Fernando Baiano, Bumlai fazia lobby para a Sete Brasil, empresa que administra o aluguel de sondas para a Petrobras no pré-sal. Era, também, conhecido como amigo do ex-presidente Lula. Um dos objetivos da prisão de Bumlai é esclarecer se ele foi beneficiado por tráfico de influência, em consequência dessa amizade - admitida por ele em entrevista recente ao jornal O Estado de São Paulo.
Operação Passe Livre
A PF cumpriu na manhã desta terça-feira mandado de prisão preventiva e prendeu o pecuarista Bumlai, conhecido por ser amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que é suspeito de ter lucrado com tráfico de influência durante o governo dele. A prisão, realizada num hotel em Brasília, foi ordenada no âmbito da 21ª fase da Lava-Jato. Batizada de Operação Passe Livre, essa etapa cumpre 25 mandados de busca e apreensão, um de prisão preventiva e seis de condução coercitiva nos Estados de Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal.
De acordo com a PF, as investigações apuram indícios de fraude em licitação para a contratação de navio sonda pela Petrobras. Os suspeitos teriam feito uma engenharia financeira para ocultar a real destinação de valores indevidos pagos a agentes públicos e diretores da estatal. São 140 policiais federais e 23 auditores fiscais envolvidos na apuração dos crimes.
Um dos delatores da Lava-Jato, o lobista Fernando Soares, o Baiano, declarou em colaboração premiada ter repassado R$ 2 milhões a Bumlai referente a uma comissão que o pecuarista teria direito por, supostamente, pedir a intermediação de Lula em uma negociação por um contrato.
Baiano representava a empresa OSX, interessada em vencer licitação para construir navios-sonda para explorar petróleo na camada de pré-sal. Ele teria pago os R$ 2 milhões para Bumlai, para que ele intercedesse para agendar uma audiência com o ex-presidente da República, Lula, em 2011. A audiência ainda teria participação de João Carlos Ferraz, então presidente da Sete Brasil, uma das fornecedoras da Petrobras na exploração petrolífera. O negócio não foi adiante, mas Baiano afirma ter pago o dinheiro pela intermediação.
Bumlai, em entrevistas, negou ter pago suborno, mas admitiu ter levado empresários do setor de petróleo para audiências com o ex-presidente Lula. Isso teria ocorrido em 2011. Outra delação, feita por um dos diretores do Banco Schain, afirma que o grupo emprestou R$ 12 milhões a Bumlai para que ele marcasse uma reunião desse grupo com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, em 2004. A intenção era garantir um contrato para operar o navio-sonda Vitória 10.000. Em troca, o PT teria perdoada uma dívida com empresas do grupo.