Mais multas, menos mortes

2015 deve ficar marcado por recordes no trânsito gaúcho

Houve redução de 15,7% das mortes, em relação a 2014, nas vias urbanas e nas rodovias, sejam elas estaduais ou federais

02/01/2016 - 02h01min
2015 deve ficar marcado por recordes no trânsito gaúcho Tadeu Vilani/Agencia RBS
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

O ano que passou deve ficar marcado por recordes no trânsito dentro dos limites estaduais — alguns, inclusive, já consolidados nos 11 primeiros meses. Entre as marcas superadas até novembro de 2015 — conforme dados mais recentes divulgados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) — está a redução de 15,7% das mortes, em relação a 2014, nas vias urbanas e nas rodovias, sejam elas estaduais ou federais.

De um ano para o outro, esta é a maior queda no índice de vítimas fatais registradas desde 2007, quando o Detran mudou a metodologia de apuração e passou a acompanhar por até 30 dias as pessoas que sofreram lesões em acidentes. Deste modo, a partir daquele ano, passaram a compor as estatísticas pessoas que foram a óbito em hospitais, por exemplo, e não apenas no local do acidente.

— Isso é fruto de um trabalho integrado do Detran, dos municípios e das polícias rodoviárias. Não existe resolução simples para problemas complexos — diz o diretor-geral do Detran, Ildo Mário Szinvelski.

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Além da queda acentuada no percentual de mortes na relação 2015-2014, outra marca histórica foi superada: embora 1.565 vidas tenham sido interrompidas nas vias urbanas e rodovias gaúchas até novembro, este é o menor número desde 2007, quando 1.630 pessoas morreram nos 11 primeiros meses do ano.

Seja em beco, rua, avenida, estrada ou rodovia, seja a via de responsabilidade do município, do Estado ou da União, fato é que o trânsito no Rio Grande do Sul está matando menos, ainda que a frota tenha aumentado. Se em 2007 estavam em circulação 3,8 milhões de veículos, a frota atual ultrapassa os 6,2 milhões — aumento de 61,1%.

Há ainda mais dois recordes que precisam ser lembrados nessa ofensiva contra os acidentes. Desde 2007, nunca se multou tanto na história do Estado. Foram 2.971.061 penalidades aplicadas até novembro, número 15,5% maior do que o mesmo período do ano passado e 1,3% superior a todo o ano de 2014.

Com isso, o número de processos de suspensão e cassação do direito de dirigir instaurados aumentou 7 vezes entre 2008 e novembro de 2015. Só nos primeiros 11 meses foram ultrapassados em 42,4% o número de processos instaurados nos 12 meses de 2014. De janeiro a novembro de 2015, foram 54,2 mil processos de suspensão e cassação abertos. Quatro em cada 10 são contra motoristas que ultrapassaram os 20 pontos por infrações diversas e um terço por terem sido flagrados dirigindo sob efeito de álcool.

Mas o que está por trás do recuo nas mortes?

Diversos fatores podem estar relacionados aos resultados positivos alcançados em 2015. O próprio aumento da fiscalização, que bateu recordes no ano que passou, é lembrado pelo presidente do Instituto de Segurança do Trânsito (IST) e professor da Universidade de Brasília, David Duarte Lima.

— Uma pequena dor no bolso é capaz de grandes mudanças de comportamento — diz o professor, referindo-se aos índices históricos de multas aplicadas.

Para ele, ações efetivas de combate à violência nas estradas vêm sendo realizadas há alguns anos, e os resultados só apareceram em 2015 porque as pessoas demoram para reagir a mudanças.

— Depois da multa é que os motoristas começam a refletir sobre o comportamento. O reflexo é um pouco tardio sempre.

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A crise econômico-financeira do país também é levada em consideração pelo presidente do IST. No seu entendimento, os veículos estão rodando menos.

— As pessoas estão andando menos nas estradas por causa da retração da economia. E isso é comprovado pela diminuição do consumo de combustível em 2015. E quanto menor a quilometragem feita pelo conjunto da frota, menos acidentes acontecem.

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O professor dos cursos de Formação de Instrutores da Feevale Eliseu Carlos Raimundo corrobora as colocações feitas pelo professor e presidente do IST e acrescenta a evolução da segurança nos automóveis e do ensino nas universidades e nos Centros de Formação de Condutores.

— Não pode ser apontado um único fator. É um conjunto de ações que estão melhorando o trânsito — considera.

O que há por trás da redução das mortes?

O superintende da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio Grande do Sul, Pedro Souza, diz que a redução das mortes no Estado é reflexo de uma ação conjunta que vem acontecendo em todo o país.

— Em 2015 houve um trabalho mais integrado das instituições ligadas ao trânsito, e isso trouxe um ganho muito grande para a sociedade. Há uma mudança de comportamento dos motoristas — afirma.

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Souza destaca que a PRF tem identificado as principais infrações cometidas em cada rodovia e agido especificamente para combatê-las, colocando viaturas e policiais nos pontos críticos. É o que ele chama de fiscalização direcionada. Também credita os resultados de 2015 ao maior rigor nas penas. A implementação de operações como Viagem Segura, Balada Segura e Rodovida também são ressaltadas pelo policial.

Para o major Alexandre da Rosa, que responde pelo Policiamento Rodoviário da Brigada Militar, a queda no número de mortes nas estradas está diretamente ligada às ações de prevenção realizadas em 2015.

— Também houve investimento em viaturas, radares modernos e mais eficientes. Isso permitiu maior presença da polícia nas rodovias — diz o major Rosa.

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Para melhorar ainda mais

Estudar as causas de cada acidente e elaborar um diagnóstico são as ações primordiais a ser colocadas em práticas nos próximos anos para continuar reduzindo o número de vítimas fatais em acidentes, segundo o presidente do IST e professor da Universidade de Brasília, David Duarte Lima.

— Também temos que copiar experiências bem-sucedidas em países que conseguiram reduzir a violência no trânsito — ressalta, destacando a necessidade de seguir investindo em educação, equipamentos de fiscalização, campanhas de conscientização e integração das polícias e órgãos em ações coordenadas.

Lima fala ainda que é preciso dar atenção à malha viária, corrigindo imperfeições, controlar melhor a velocidade dos veículos e a combinação álcool e direção.

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Diretor-geral do Detran, Ildo Mário Szinvelski acredita na intensificação das ações policiais neste ano.

— Pretendemos aumentar ainda mais a fiscalização, mas os resultados serão mais efetivos quando for alterada a legislação, dando mais celeridade aos processos administrativos. Precisamos encurtar prazo — afirma.

O superintende da PRF no Rio Grande do Sul, Pedro Souza, afirma que as mortes nas estradas seguirão em declínio neste ano.

— A tendência é diminuir cada vez mais os acidentes fatais. Eu sei que trabalharemos forte em 2016 com todos os órgãos voltados para o mesmo objetivo: diminuir as mortes a níveis aceitáveis.

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Souza comenta, no entanto, que é preciso diminuir a burocracia e aumentar a celeridade do processo de punição. Para o major Alexandre da Rosa, que responde pelo Policiamento Rodoviário da Brigada Militar, é preciso investir no policiamento para que haja resultados ainda melhores em 2016.

— Está previsto o aumento do efetivo e novos radares para os batalhões que ainda não têm — finaliza.

 
 
 
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