Assalto

Criminosos fazem arrastão dentro do Trensurb em Porto Alegre

Segundo a BM, eles estavam com uma arma de brinquedo e levaram celulares e carteiras dos passageiros

27/01/2016 - 15h29min | Atualizada em 28/01/2016 - 08h41min
Criminosos fazem arrastão dentro do Trensurb em Porto Alegre Divulgação/Brigada Militar/Divulgação
Até as 20h, sete participantes do arrastão haviam sido detidos pela Brigada Militar Foto: Divulgação / Brigada Militar/Divulgação  
Foto: Arte ZH / Agência RBS

Passageiros da Trensurb foram vítimas de um arrastão em plena luz do dia, na tarde desta quarta-feira, em Porto Alegre. O ataque coletivo teve início às 14h37min e envolveu uma dezena de criminosos. Pelo menos 12 pessoas tiveram que entregar celulares e dinheiro.

Quatro integrantes do grupo foram presos logo em seguida e, horas depois, a Brigada Militar (BM) conseguiu capturar outros três. Eles estavam na Praça XV de Novembro e foram identificados com ajuda das câmeras de monitoramento. 

Com os quatro primeiros presos, a BM recuperou 16 aparelhos telefônicos, uma mochila e R$ 76,80 em dinheiro. Uma arma de brinquedo que estava com um dos suspeitos também foi apreendida. Com os outros três criminosos, um celular e R$ 282 foram recuperados. Dos sete detidos, dois são menores idade. Todos foram encaminhados para a 3ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA).

O grupo entrou na estação Mercado, no Centro, por volta das 14h30min. Em seguida, se espalhou por um dos vagões. Assim que o veículo passou pela segunda parada, na estação Rodoviária, os ladrões se olharam, fizeram sinais e anunciaram o roubo.

— A sensação foi horrível, porque estávamos presos lá dentro, sem ter para onde fugir. Minha tia, que tinha acabado de fazer exames no Instituto de Cardiologia, começou a passar mal. Pensei que ia enfartar quando apontaram a arma para ela — relatou uma desempregada de 37 anos, moradora de Canoas, que estava a caminho de casa.

Havia uma mulher grávida entre os passageiros e uma mãe com uma criança, que começou a chorar. Ao ser abordado, um rapaz se negou a entregar o telefone móvel e levou uma coronhada na cabeça. 

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Quando o trem parou na estação São Pedro, que fica logo depois da rodoviária, o bando parou junto às portas e saiu correndo.

— Eu estava na sala de materiais e ouvi uma algazarra do lado de fora. Gritavam para chamar a polícia. Levei um susto. Só depois é que fiquei sabendo que tinha acontecido um arrastão — contou uma das auxiliares de limpeza da Trensurb, de 58 anos.

Quando chegaram à rua, os bandidos se espalharam. Minutos depois, os soldados Alderi Guedes e Paulo Eduardo Arruda, da 4ª Companhia do 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM) iniciaram uma perseguição ao grupo. 

Os PMs conseguiram capturar os quatro suspeitos, identificados como Alef Willian Castro da Silva, 21 anos, e Hyoran Garcia de Oliveira, 22, além de dois adolescentes de 16 anos. Eles foram reconhecidos pelos passageiros e estavam com pertences das vítimas.

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Ação foi a primeira na história da Trensurb

Até esta quarta-feira, segundo o gerente de operações da Trensurb, Júlio César Brandi, não havia registros de arrastão no sistema de trens metropolitanos.

— Foi algo novo para nós. O fato é que estamos enfrentando uma onda de violência no Estado, e a Trensurb não é uma ilha — diz.

Ao todo, conforme Brandi, a empresa conta com 400 câmeras espalhadas pelas estações e dentro dos vagões. As imagens são monitoradas por seguranças da companhia e compartilhadas com a Secretaria Estadual de Segurança.

— Trabalhamos em parceria. Quando vimos a movimentação suspeita, entramos em contato com a Brigada Militar, que também já tinha detectado o problema. Isso permitiu uma ação rápida — afirma Brandi.

Os soldados do 9º Batalhão de Polícia Militar foram acionados pelo rádio da viatura, e as prisões ocorreram nas proximidades da estação São Pedro, perto da Avenida Farrapos. Os menores foram encaminhados para o Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), e os maiores de idade seriam levados ao Presídio Central.

O desfecho foi comemorado pelo capitão Gabriel Damasio, comandante da 4ª Companhia do 9º BPM.

— Acreditamos que esses indivíduos integrem um grupo que vinha assaltando ônibus e lotações na Capital — destaca o policial.

Foto: Ramon Nunes / Agência RBS
 
 
 
 
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