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Preparação para tempestades

Saídas para diminuir transtornos são caras e polêmicas, dizem especialistas

Redes elétricas subterrâneas e melhor manejo de árvores são soluções apontadas

01/02/2016 - 19h27min
Saídas para diminuir transtornos são caras e polêmicas, dizem especialistas André Ávila/Agência RBS
A arborização, orgulho de Porto Alegre, também é um problema para a rede elétrica Foto: André Ávila / Agência RBS

As saídas possíveis para deixar Porto Alegre mais preparada para enfrentar novos temporais são caras e polêmicas. O corte de energia, um dos principais transtornos causados pelo mau tempo na Capital — e que também leva à falta de água —, poderia ser minimizado se a cidade tivesse uma extensão maior da rede elétrica subterrânea, diz Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, diretor do Centro Universitário de Pesquisas e Estudos sobre Desastres (Ceped-RS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Apesar do alto custo, Silva avalia ser necessário ter um planejamento para que isso ocorra de forma gradual:

— Isso poderia ocorrer, por exemplo, como compensação ambiental de novos empreendimentos, principalmente em locais críticos.

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O diretor de Distribuição da CEEE, Júlio Hofer, lembra que boa parte do Centro da Capital conta com rede subterrânea, mas a ampliação esbarra na equação econômica.

— Uma rede subterrânea é de 15 a 20 vezes mais cara do que a aérea — explica Hofer, lembrando ainda que esse investimento também acabaria onerando a conta de luz.

Outra causa frequente de interrupção do fornecimento de energia na Capital é a queda de galhos e árvores sobre a rede. Apesar de a arborização ser um dos orgulhos da Capital, é necessário maior planejamento em relação ao plantio e manejo das árvores para diminuir os transtornos, aponta o diretor do Ceped:

— É preciso evitar o plantio de espécies de rápido crescimento em locais com interação com a rede elétrica.

Apesar de a CEEE ter nos últimos meses recorrido a podas corretivas para tentar diminuir as ocorrências de interrupção no fornecimento de luz pela queda de galhos, há grande resistência à prática, alega Hofer:

— Há uma rejeição muito grande da comunidade em cortar galhos grandes ou mesmo árvores mortas.

Para evitar que a queda da energia afete a distribuição de água, a saída apontada é o uso de geradores, opção descartada pelo Dmae em função do custo. O aumento no número de equipes da CEEE para restabelecer a luz de forma mais rápida também esbarra no fator financeiro, diz a companhia.

 
 
 
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