Nova York

Crise síria domina primeiro dia da Assembleia Geral da ONU

20/09/2016 - 21h27min

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, abriu nesta terça-feira a 71ª sessão anual da Assembleia Geral do organismo pedindo o fim da violência na Síria.

"Peço a todos aqueles que têm influência para alcançar o fim dos combates e o início das negociações", disse Ban ao aludir à frágil trégua no terreno.

O chefe da ONU criticou os "governos que facilitaram, financiaram ou participaram de atrocidades cometidas por todas as partes da Síria contra civis sírios".

"O atentado selvagem de ontem contra um comboio de ajuda da Crescente Vermelho síria e das Nações Unidas é um exemplo recente", acrescentou.

"Muitos grupos mataram civis inocentes, mas nenhum tanto como o governo sírio, que segue usando barris com explosivos contra zonas residenciais e tortura sistematicamente os prisioneiros".

O ministério sírio das Relações Exteriores reagiu acusando Ban Ki-moon de se "distanciar" da carta que rege a ONU.

"As declarações de Ban Ki-moon hoje sobre a Síria estão muito distantes das disposições da carta da ONU, que devem ser respeitadas pela pessoa que ocupa o cargo de secretário-geral".

"Durante o mandato de Ban Ki-moon, as Nações Unidas se distanciaram de seu papel de facilitador de soluções para os problemas internacionais e não conseguiram resolver qualquer conflito".

A guerra civil na Síria também foi o principal tema do discurso do presidente americano, Barack Obama, na Assembleia Geral, onde fez um dramático apelo por uma solução diplomática.

"Em um lugar como a Síria, não se pode alcançar uma vitória militar, e temos de continuar com a difícil tarefa da diplomacia, que se propõe a interromper a violência e fazer a ajuda chegar aos que necessitam dela".

Nesta terça-feira, os chanceleres de 23 países realizaram uma reunião de urgência em um hotel de Nova York para tentar manter de pé o frágil cessar-fogo na Síria negociado por Estados Unidos e Rússia e que mal durou uma semana.

Em seu discurso, Obama não poupou críticas a Moscou, que tenta recuperar "sua glória passada pela força", o que pressiona as relações internacionais.

"Se a Rússia continuar interferindo nos assuntos internos de seus vizinhos, isso pode ser popular em seu país. Pode impulsionar o fervor nacionalista por algum tempo, mas, com o passar do tempo, também vai diminuir sua estatura e tornar suas fronteiras menos seguras".

O assessor de Segurança Nacional da presidência dos EUA Ben Rhodes informou nesta terça-feira que Washington considera a Rússia responsável pelo ataque aéreo contra o comboio de ajuda humanitária que matou 20 pessoas na Síria.

"Pode haver apenas dois responsáveis, o regime sírio ou o governo russo. Em qualquer caso, consideramos que o governo russo é o responsável pelos ataques aéreos nesta zona".

Compromisso para receber refugiados

Em seu sexto ano, a guerra na Síria já deslocou nove milhões de pessoas, enquanto mais de quatro milhões fugiram para os países vizinhos.

Obama, anunciou nesta terça-feira o compromisso de cerca de 50 países para acolher 360 mil refugiados, de diversos países, o que representa o dobro em relação ao ano passado.

"Juntos, nossos países duplicarão o número de refugiados que nós receberemos (...) fazendo chegar a 360 mil este ano", declarou, saudando em especial os esforços de Alemanha e Canadá.

"Enfrentamos uma crise de proporções épicas. Não podemos desviar os olhos ou dar as costas. Fechar a porta na cara destas famílias seria trair nossos valores mais profundos", advertiu Obama.

O governo americano anunciou que aumentará o número de refugiados que os Estados Unidos receberão em 2017 a 110 mil pessoas, contra os 85 mil deste ano.

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